sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Crise e Oportunidade: Restrições nos EUA Impulsionam Ensino Premium no Brasil

 


    Enquanto os Estados Unidos adotam políticas de restrição à entrada de estudantes estrangeiros e cortes históricos em programas de auxílio educacional, como Pell Grants e FSEOG, o ensino superior caminha para se tornar um "clube de ricos", conforme análise publicada pela Revista Ensino Superior. O pacote legislativo aprovado em 2025 não apenas reduz o apoio a alunos de baixa renda americanos, como também limita vistos e oportunidades para estudantes internacionais, criando um ambiente hostil à educação globalizada.

    Nesse contexto de retração norte-americana, observa-se o surgimento estratégico de faculdades premium no Brasil. Estas instituições, muitas vezes com investimento privado maciço, posicionam-se para captar tanto alunos internacionais em busca de alternativas aos EUA quanto uma elite nacional. Oferecem infraestrutura de ponta, diplomas com dupla validação e um currículo conectado com as demandas do mercado global.


    O movimento, porém, aprofunda um abismo educacional. Enquanto essas ilhas de excelência atendem a uma minoria, o sistema público e as universidades privadas acessíveis enfrentam cortes e dificuldades financeiras. O risco é a consolidação de um sistema de duas camadas, onde a mobilidade social pelo ensino se torna exceção.

    As consequências são graves para ambas as nações. Os EUA perdem diversidade intelectual e mão de obra qualificada, enquanto o Brasil vê crescer uma educação para ricos, paralela a um sistema público subfinanciado. A internacionalização, que poderia ser um vetor de desenvolvimento, transforma-se em commodity para poucos.

by  Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 

Fonte: Revista Ensino Superior. “Educação Superior caminha para ser clube de ricos”. 29 out. 2025.

Análise: A Crise Estrutural da Educação Básica e Sinais de Resistência em Meio ao Caos

  

 


    O artigo "A tragédia silenciosa da educação básica" do editorial do Estadão expõe com rigor as graves deficiências do ensino público brasileiro. Esta análise busca aprofundar a reflexão sobre esse cenário, incorporando exemplos concretos de iniciativas que demonstram potencial transformador quando há continuidade das políticas e investimentos direcionados.

    O que vai mal na educação infantil e fundamental pode ser resumido em quatro eixos críticos: a infraestrutura deficiente (com apenas 39% das salas com climatização e 20% das escolas com laboratório de ciências), as desigualdades regionais (como no Acre, onde apenas 62,9% das escolas têm água potável), a estagnação da aprendizagem (com queda de 7,2% para 4,9% em matemática em São Paulo entre 2013-2023) e a formação docente insuficiente (12,5% dos professores sem graduação). Esses fatores se combinam para comprometer o desenvolvimento integral dos estudantes desde os primeiros anos de escolarização.


 

    Na Educação Infantil, o Programa Criança Feliz representa um avanço significativo. Reconhecido internacionalmente pela UNICEF e OMS, seu modelo de visitas domiciliares focadas no desenvolvimento integral na primeira infância tem mostrado resultados mensuráveis: estudos do IPEA indicam que crianças participantes apresentam melhores índices de desenvolvimento cognitivo e maior adesão ao calendário vacinal, combatendo vulnerabilidades sociais na fase mais crucial do desenvolvimento.

    No Ensino Fundamental, o caso do Ceará merece análise detalhada. Desde 2007, o estado implementou o Programa de Aprendizagem na Idade Certa (PAIC), posteriormente expandido para o Mais PAIC, abrangendo toda a educação fundamental. O cerne do sucesso reside na combinação de: 1) cooperação técnica e financeira entre estado e municípios; 2) formação continuada de professores com foco em alfabetização; 3) avaliação sistemática da aprendizagem; e 4) bonificação às escolas por resultados. Sobral, epicentro desse modelo, ostenta o melhor Ideb do Brasil (9,1 nos anos iniciais), demonstrando que redes públicas podem alcançar excelência. O programa foi tão impactante que inspirou a Política Nacional de Alfabetização.

    Outro eixo promissor é a expansão da educação em tempo integral, impulsionada pelo Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, que beneficiou anos finais do Fundamental. Estados como Pernambuco e Rio Grande do Norte registraram avanços na proficiência em língua portuguesa e matemática em suas escolas de tempo integral, com evasão reduzida à metade da média nacional.

    Contudo, investir na educação básica não se trata apenas de um compromisso com o presente, mas sim de uma condição indispensável para a excelência do ensino superior. Dados do INEP revelam que mais de 50% dos ingressantes nas universidades públicas precisam de disciplinas de nivelamento em matemática e língua portuguesa, comprovando que as deficiências da base se perpetuam no nível superior. Além disso, a evasão universitária atinge 22% nos primeiros anos, concentrando-se majoritariamente entre alunos egressos de escolas públicas com formação deficitária. Portanto, sem uma base sólida, as universidades brasileiras veem-se obrigadas a remediar falhas que deveriam ter sido sanadas anteriormente, comprometendo seu potencial de pesquisa, inovação e formação profissional de qualidade.

    Estes exemplos comprovam que soluções existem, porém, como alerta o artigo, permanecem como "ilhas de exceção". A superação da tragédia educacional exigirá a transformação dessas boas práticas em política de Estado, com financiamento sustentável e vontade política permanente, para que o direito à educação de qualidade seja uma realidade universal, e não um privilégio geográfico.

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 


Referência:

ESTADÃO. A tragédia silenciosa da educação básica. Estadão, São Paulo, 30 out. 2025. Disponível em: https://archive.is/20251014065806/https://www.estadao.com.br/opinia... Acesso em: 30 out. 2025.

Fotos:

G1. Acesso: 31. Out 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/volta-as-aulas/noticia/2021/03/21/cresce-numero-de-escolas-publicas-sem-banheiro-e-internet-banda-larga-coleta-de-esgoto-nao-chega-a-358-mil-predios-escolares.ghtml 

 

Folha BV. Acesso: 31. Out 2025. Disponível em: https://www.folhabv.com.br/educacao/sem-professores-estrutura-precaria-e-aulas-reduzidas-pais-denunciam-situacao-de-escola-na-vila-cachoeirinha/

 

Ceara.  Acesso: 31. Out 2025. Disponível em:https://www.cee.ce.gov.br/2022/06/21/izolda-reafirma-compromisso-com-educacao-de-qualidade-e-anuncia-expansao-do-pacto-pela-aprendizagem/

 

Agencia Cidade.  31. Out 2025. Disponível: https://www.agenciacidades.com.br/reportagens/investimento-minimo-por-aluno-sera-de-r-544798/679/

 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Um Legado que Ilumina: A Emoção de Receber a mais recente Obra do Prof. Eliseu Martins

 

   

     A emoção e a felicidade que sinto são difíceis de descrever. Ao receber em minhas mãos o último livro do Professor Eliseu Martins, "Eliseu Martins Contador", fui tomado por uma das maiores e mais significativas alegrias da minha vida profissional. Este volume representa muito mais do que palavras impressas; é a materialização de um legado intelectual que sempre admirei.

    Minha conexão com essa trajetória começou nos corredores da FEARP-USP, durante minha graduação. Foi naquela escola que o pensamento do docente se tornou a base do meu aprendizado, e onde tive a honra de conhecer pessoalmente a profundidade de seu trabalho, que moldou gerações de profissionais da contabilidade no país.

 

    Ainda na USP, outro Martins foi fundamental para meu caminho: o Professor Vinicius Martins. Sob sua orientação inspiradora, encontrei a motivação decisiva para abraçar a carreira acadêmica. Ele não apenas transmitiu conhecimento, mas também despertou em mim a paixão pelo ensino e pela pesquisa.

    Honrar o pai, Eliseu, é também celebrar o filho, Vinicius. Este presente, portanto, coroa uma jornada construída por duas gerações de uma mesma família. Carregar esta obra é carregar a história viva que inspirou e continua a guiar cada passo da minha própria trajetória, unindo passado, presente e futuro em um ciclo de profunda gratidão.

    Hoje termino o dia com saudades do meu período de graduação em Ciências Contábeis na USP, feliz com as minhas escolhas e emocionado por ter podido ter concedido uma palestra em que tive o Prof Eliseu na plateia.  

    Obrigado  

    Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues






segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A IA na Sala de Aula: Instrutor ou Distração Digital?

 

  

    Estudantes universitários ao redor do mundo estão adotando a Inteligência Artificial como uma ferramenta de estudo massiva. Dados de 2024 mostram que 86% dos alunos usam IA regularmente em suas tarefas acadêmicas, desde a geração de textos até a explicação de conceitos complexos. Universidades de elite, como Tsinghua e Ohio State, já estão integrando a tecnologia em seus currículos, visando formar graduados "fluentes em IA".

    No entanto, essa revolução tecnológica divide especialistas. De um lado, entusiastas veem um potencial incrível para personalizar o aprendizado e tornar a educação mais eficiente. Um estudo de Harvard com um tutor de IA para Física mostrou que os alunos aprenderam mais em menos tempo. Do outro, céticos temem que o uso indiscriminado esteja atrofiando habilidades mentais cruciais. Uma pesquisa com escaneamento cerebral revelou que estudantes que usaram ChatGPT para escrever redações apresentaram uma conectividade significativamente menor entre as regiões do cérebro, indicando um processamento mental mais superficial.

    O dilema se estende às salas de aula, onde professores relatam mudanças dramáticas nas habilidades dos alunos. Muitos demonstram dificuldade em referenciar fontes ou construir argumentos originais, sinalizando que a dependência da IA pode estar comprometendo o desenvolvimento do pensamento crítico. Enquanto isso, as próprias instituições de ensino correm para estabelecer políticas de uso, criando um cenário de regulamentação fragmentada e, por vezes, contraditório.

    Diante deste cenário complexo, especialistas defendem que o caminho não está na proibição, mas na integração inteligente. A IA deve ser tratada como uma ferramenta para ampliar capacidades cognitivas, e não como um atalho que substitui o esforço intelectual. O verdadeiro desafio educacional será equilibrar o ganho de eficiência com a preservação das habilidades humanas fundamentais para o futuro profissional e cidadão.

 by

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 

Fontes:  

    Este texto foi baseado na reportagem "Will AI make students smarter, or stop them from thinking at all?", publicada na revista Nature (Vol 646, 23 de outubro de 2025)

    Imagem obtida em https://creajr.crea-pr.org.br/inteligencia-artificial-ia-quais-as-suas-aplicacoes-na-engenharia Acesso 27/10/2025  16:00

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Capital externo fortalece ensino superior privado no Brasil em meio a desafios nacionais


 

    Nos últimos anos, o ensino superior privado no Brasil passou por um intenso processo de desnacionalização, com grande parte das instituições sendo controladas por grupos estrangeiros. De acordo com o artigo “A desnacionalização do ensino superior privado”, publicado por Fernando Nogueira Costa em A Terra é Redonda, cinco grandes grupos — muitos deles com participação significativa de fundos de Wall Street — dominam cerca de 40% das matrículas no setor.

    Essa presença maciça de capital estrangeiro tem sido fundamental para a expansão e consolidação do ensino superior no país, especialmente em um contexto marcado pela escassez de poupança interna, queda nos investimentos públicos e concorrência por recursos com outros setores, como a educação infantil.

    Segundo o autor, o setor tornou-se altamente atrativo para fundos de private equity e conglomerados educacionais globais devido à alta demanda reprimida por diplomas, à estrutura de custos reduzidos — especialmente no ensino a distância (EaD) — e ao acesso a políticas públicas de financiamento, como FIES e Prouni.

    Dados citados no artigo mostram que apenas 21,3% da população entre 25 e 64 anos possui ensino superior completo, percentual que sobe para 23,7% entre os jovens de 25 a 34 anos — ainda assim, cerca de metade da média dos países da OCDE. Escenário reforça a necessidade de investimento em escala, algo que o capital nacional, por si só, tem dificuldade de oferecer.

    Além disso, a financeirização da educação — com decisões orientadas por métricas de rentabilidade — tem permitido a oferta de mensalidades mais acessíveis, como as de EaD, que giram em torno de R$ 348, contra R$ 1.132 na média dos cursos presenciais. Esse modelo viabiliza o acesso de parcelas da população que, de outra forma, estariam excluídas do ensino superior.

    No entanto, o artigo também alerta para os riscos desse processo: a perda de controle nacional sobre a formação em áreas estratégicas como saúde e direito, a precarização do trabalho docente e a subordinação da qualidade pedagógica aos interesses financeiros.

    Recentemente, o governo federal reagiu a parte dessas tendências com a edição de um decreto que regula e limita a oferta de EaD em cursos como medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia — tentativa de frear a massificação sem critérios.

    A desnacionalização, portanto, surge como um fenômeno ambíguo: por um lado, injeta recursos e escala em um setor estratégico; por outro, submete a educação à lógica do mercado, com impactos ainda incertos sobre sua qualidade e soberania.

by 

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 

Fonte:
Costa, Fernando Nogueira. “A desnacionalização do ensino superior privado”. A Terra é Redonda, 11/06/2025. Publicado em Outras Palavras.

  


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Desigualdade no Acesso ao Ensino Superior: Um Retrato do Brasil


 

    Dados de uma pesquisa realizada pelo British Council, divulgados em outubro de 2025, escancaram uma realidade persistente: a desigualdade racial é um dos maiores obstáculos educacionais no Brasil. O estudo revela que, entre os jovens que interrompem os estudos antes de chegar à universidade, 3 em cada 5 são negros (pretos e pardos).

    Esse grupo representa 63% dos que param de estudar até o ensino médio, um número desproporcional, já que os negros constituem 55,5% da população brasileira. A pesquisa, que ouviu mais de 3.000 jovens, evidencia que a população negra não só é minoria entre os diplomados no ensino superior, como compõe a maioria daqueles que são forçados a abandonar a sala de aula.

    O principal motivo para a evasão escolar é a restrição financeira, apontada por 39% dos entrevistados. Na sequência, aparecem responsabilidades familiares e problemas de transporte (19% cada). A falta de apoio dos professores e o acesso limitado a cursos de qualidade também foram citados como fatores decisivos.

    As consequências dessa exclusão educacional se refletem diretamente no mercado de trabalho. O relatório mostra que jovens brancos possuem uma renda 19% acima da média, enquanto os jovens pretos ganham, em média, 31% a menos. Mais da metade dos jovens pretos entrevistados recebe menos de 1,5 salário mínimo mensal.

    Além das barreiras econômicas, o racismo estrutural se impõe no cotidiano. Um dado chocante indica que 86% dos jovens pretos e 71% dos pardos já vivenciaram situações de discriminação. As experiências vão desde ouvir piadas sobre a aparência e ser alvo de apelidos racistas até ter sua capacidade intelectual subestimada.

    A pesquisa conclui que a superação desse cenário exige políticas públicas robustas, incluindo a promoção de um acesso equitativo à cultura, a formação pedagógica antirracista e, sobretudo, a criação de um processo mais participativo, onde os próprios jovens possam contribuir ativamente na formulação das políticas que lhes dizem respeito. O futuro do país depende diretamente de conseguirmos romper esse ciclo de desigualdade.

    Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

América Latina Educadora: Do Acesso à Aprendizagem de Verdade


    O Relatório Edlatam 2025 nos mostra que a América Latina está diante de uma encruzilhada histórica: alcançamos acesso quase universal à escola, mas ainda não garantimos aprendizagem de qualidade para todos. É hora de celebrar nossos avanços, mas também de corrigir rotas.

    Precisamos sair do paradigma que valoriza apenas o diploma e passar a valorizar competências reais. Isso significa investir na primeira infância, formar e valorizar nossos professores com microcredenciais e usar o tempo em sala de aula de forma inteligente, com feedback constante e ensino personalizado.

    O caminho está claro: alfabetizar todas as crianças cedo, fortalecer o ensino técnico vinculado ao trabalho e requalificar massivamente nossa população adulta. Só assim transformaremos o potencial latino-americano em prosperidade real e compartilhada. A hora de agir é agora e cabe uma discussão do papel do Sistema de Ensino Superior como contribuidor para o desenvolvimento do ensino de base.

by Angelo Davis 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Brasil na contramão do futuro: o desafio de formar cérebros para STEM

 

    O relatório "Education at a Glance" da OCDE escancara uma realidade preocupante: enquanto nações desenvolvidas apostam em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), o Brasil ainda forma mais administradores e advogados. Conforme a reportagem de Renata Cafardo, com apenas 16% dos graduados em STEM, contra 23% da média da OCDE e índices que chegam a 35% na Alemanha, o país arrisca ficar para trás na economia global, cada vez mais digital e baseada em conhecimento.

    Essa disparidade não é acidental. Reflete deficiências históricas no ensino básico, especialmente em matemática e ciências, que desestimulam os jovens desde cedo. O texto jornalístico do Estadão
da reportagem "Alunos em tecnologia, ciências, engenharia e Matemáticas são 16%; países ricos tem 23%" alerta para a "baixa qualidade do ensino de Matemática e ciência nas escolas", um problema crônico que se reflete na drástica redução de 51% no número de alunos de Engenharia Civil desde 2015. A complexidade dos cursos de engenharia, associada à falta de incentivos concretos, afasta talentos. Enquanto isso, a formação em STEM é sinônimo de menor desemprego e melhores salários no mundo todo — um ciclo virtuoso que o Brasil não aproveita.

    O relatório destaca ainda que "as áreas STEM são particularmente valorizadas no mercado", criando um paradoxo perverso: há demanda por esses profissionais, mas o país não consegue formá-los em quantidade suficiente. Essa lacuna ameaça diretamente nossa capacidade de inovação e competitividade industrial, especialmente em setores estratégicos como energia limpa, inteligência artificial e biotecnologia.

    Outro aspecto crucial é a questão de gênero nas carreiras científicas. Conforme apontado pela OCDE, as mulheres são sub-representadas em STEM, dominando majoritariamente a área da Saúde. Essa disparidade não só perpetua desigualdades, como priva o país de talentos essenciais para o desenvolvimento tecnológico. Urge criar políticas específicas que incentivem a participação feminina nessas áreas desde a educação básica.

    Para reverter esse cenário, é urgente uma política de Estado que priorize a educação científica desde a infância. Investir na capacitação de professores, modernizar laboratórios e promover a cultura da experimentação são passos essenciais. Além disso, é preciso valorizar financeiramente carreiras em STEM, criar bolsas de estudo e estreitar a ligação entre universidades e setor produtivo, seguindo o exemplo de países como Coreia do Sul e Finlândia, que aparecem no relatório com mais de 30% de formados nessas áreas.

    Sem uma mudança estrutural, continuaremos importando tecnologia e perdendo oportunidades de inovação. O futuro exige engenheiros, cientistas e tecnólogos. Cabe ao Brasil decidir se quer formar — ou apenas assistir — a essa revolução. O momento de agir é agora, antes que o gap educacional se transforme em um abismo econômico intransponível.

by 

 Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

A Voz que Ensina: Minha Razão de Ser na Universidade




 

Para mim, ser professor universitário é realizar um sonho de infância, cultivado em uma família de docentes e inspirado por minha mãe. Descobri que nada é mais importante do que poder ajudar alguém por meio do ensino. Essa crença é o alicerce da minha jornada.

A sala de aula é onde a magia acontece, mas a realização vai além: é a beleza da pesquisa, a alegria da extensão e o prazer estratégico de criar novos cursos e contribuir para o crescimento da instituição. Já vivi os dois lados: a relativa estabilidade do setor público e os desafios da rede privada, onde a falta de estrutura exige criatividade e gestão afiada.

Foi nesse ambiente dinâmico, como reitor, que pude liderar a transformação de cursos, elevá-los à nota máxima no MEC e ver a captação saltar. Mas, entre todos os números e conquistas, a maior realização continua sendo a mesma: ver o brilho nos olhos de um aluno que entendeu, cresceu e conquistou seu lugar no mundo.

Por fim, quero prestar minha homenagem a todos os meus colegas professores, que diariamente dedicam suas vidas a semear conhecimento e transformar vidas. O trabalho de vocês é fundamental para o nosso país. E, acima de tudo, agradeço a Deus pela graça de poder exercer essa missão com tanto amor e propósito. Esse é o meu verdadeiro legado. 

    Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Inovar ou Perecer: A Encruzilhada Histórica das Universidades no Século XXI


    As universidades brasileiras estão diante de um momento decisivo. Um recente artigo da revista Nature alerta que instituições de ensino superior em todo o mundo precisam se reinventar para sobreviver – e esse cenário ecoa com urgência no Brasil. O modelo tradicional, pressionado por cortes orçamentários, mudanças tecnológicas e demandas da sociedade, já não é mais suficiente.

    A crise de financiamento é um dos maiores desafios. Enquanto universidades públicas disputam recursos em meio a orçamentos federais contingenciados, as instituições privadas enfrentam evasão recorde e altos índices de inadimplência. O resultado é um sistema sob estresse, onde a qualidade do ensino e da pesquisa está em risco.

    Essa pressão financeira tem consequências diretas: laboratórios com equipamentos obsoletos, fuga de cérebros para o exterior e dificuldade de manter projetos de pesquisa de longo prazo. Para piorar, o debate público frequentemente questiona o valor social das universidades, em um ambiente polarizado que ameaça sua autonomia e missão.

Mas a crise também traz oportunidades únicas. Instituições inovadoras já mostram caminhos: parcerias com o setor produtivo, cursos flexíveis e interdisciplinares, uso de inteligência artificial no ensino e maior integração com as demandas locais. 

    O momento pede que as universidades brasileiras façam mais do que defender seu modelo atual. Precisam se transformar em espaços mais ágeis, conectados com a sociedade e capazes de demonstrar seu valor de forma tangível. Como bem resume a Nature, "elas devem direcionar mais de sua capacidade inovadora para si mesmas".

    O futuro do país está intimamente ligado a essa transformação. Num mundo cada vez mais baseado no conhecimento, a capacidade de inovar e formar cidadãos críticos será o verdadeiro diferencial competitivo das nações. As universidades que entenderem esse recado não apenas sobreviverão – mas ajudarão a construir o Brasil do século XXI.

    A encruzilhada é clara: reinventar-se ou ficar para trás. O tempo para essa escolha está se esgotando.

    Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues

 
 

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Bem-vindos ao Diálogo Acadêmico: A Gestão Universitária como Elo para o Futuro

 

Seja muito bem-vindo(a) ao Diálogo Acadêmico.

    Este espaço nasce de uma certeza e de um propósito. A certeza é a de que as Instituições de Ensino Superior (IES) são os pilares fundamentais do progresso de qualquer sociedade. Elas moldam profissionais, impulsionam a inovação e são termômetros do nosso tempo. O propósito, por sua vez, é o de fomentar um diálogo qualificado, prático e necessário sobre a gestão que sustenta essas instituições.

    Aqui, não vamos falar apenas de planilhas, normas ou processos burocráticos. Vamos, sim, discutir a arte e a ciência de gerir uma universidade em um mundo em constante transformação.

O que você vai encontrar por aqui?

Neste blog, vamos abrir a pauta para as conversas mais urgentes e relevantes do nosso setor. Nossos pilares de discussão serão:

  • Estratégia e Liderança: Como posicionar sua IES em um mercado competitivo? Quais os modelos de governança mais eficazes?

  • Inovação e Transformação Digital: A revolução da Inteligência Artificial na sala de aula, a jornada do aluno digital e a eficiência dos ambientes inteligentes.

  • Gestão Financeira e Sustentabilidade: Modelos de captação de alunos, otimização de recursos e como garantir a saúde econômica sem abrir mão da excelência acadêmica.

  • Avaliação e Qualidade: Compreendendo o Sinaes, os caminhos para a autorregulação e a busca incessante pela qualidade educacional.

  • O Aluno no Centro: Experiência do discente, retenção e combate à evasão. Afinal, a gestão existe para servir à missão maior: a formação.

  • Tendências e Futuro: O que esperar da educação superior daqui a 10, 20 anos? Como nos prepararmos hoje?

    O Diálogo Acadêmico acredita que os melhores resultados surgem do compartilhamento de ideias, da análise de casos de sucesso e da reflexão coletiva sobre os nossos desafios.

    Este blog é um convite.

    Um convite para você, que vive os dilemas e as vitórias da gestão universitária no seu dia a dia, para fazer parte desta comunidade. Queremos ouvir suas experiências, suas dúvidas e suas perspectivas. Comente em nossos artigos, compartilhe com sua rede e vamos, juntos, construir uma gestão mais forte, visionária e humana.

Agradecemos por sua visita e esperamos que este seja o início de uma frutífera troca de conhecimentos.

Seja parte deste diálogo.

Atenciosamente,

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues