
Como decidir sobre cursos, investimentos e parcerias em um período de incerteza
política e regulatória? Na passagem de 2026 para 2027, as instituições precisam
acompanhar as regras e se preparar, em vez de apenas esperar por definições.
O
ensino superior contribui para a formação das pessoas e para o desenvolvimento
regional. Com as margens pressionadas, manter as atividades e crescer exige uma
visão tridimensional: qualidade acadêmica, equilíbrio financeiro e cumprimento
das regras. Cada decisão precisa fazer sentido nessas três dimensões.
Cumprir as
regras e usar bem os recursos devem fazer parte da mesma estratégia. É isso que
chamo de hedge regulatório: uma forma de reduzir a exposição a problemas
regulatórios, não um instrumento financeiro. As exigências do Ministério da
Educação (MEC) e os efeitos das novas regras precisam orientar o planejamento e
o diálogo com possíveis parceiros, inclusive em fusões e aquisições. Estar em
conformidade, porém, não garante essas parcerias.
Os incentivos a seguir são
propostas para debate, não benefícios já em vigor. Sua adoção dependeria de
avaliação jurídica, fiscal e educacional, com regras claras e preservação da
qualidade acadêmica.
A aproximação entre instituições de ensino, empresas e
órgãos reguladores exige responsabilidades claras:
1. Papel do MEC: Defendo que
o Ministério lidere, em diálogo com os demais órgãos competentes, a construção
de regras que aproximem as empresas da formação acadêmica. Além de fiscalizar, a
regulação pode estimular parcerias e reconhecer resultados das instituições e
das empresas participantes.
2. Incentivos para as empresas: Proponho avaliar
benefícios financeiros, fiscais e regulatórios para empresas que compartilhem
desafios e participem da formação desde os primeiros semestres. Entre as
possibilidades estão deduções tributárias ligadas à pesquisa e ao
desenvolvimento, prioridade em linhas de financiamento e compensações pela
participação na formação dos futuros profissionais.
3. Benefícios para as
instituições: Proponho avaliar benefícios regulatórios para IES que demonstrem
contribuição para a região e bons resultados profissionais de seus formados.
Entre as possibilidades estão prioridade na distribuição de vagas de programas
federais e facilitação de recredenciamentos, sempre preservando as exigências de
qualidade. A contribuição para a economia e a produtividade regional pode
complementar, mas não substituir, a avaliação da formação.
As famílias precisam
entender o que a formação oferece em aprendizagem e perspectivas profissionais.
As empresas, por sua vez, precisam de conhecimento aplicado aos desafios do dia
a dia. Aproximar essas necessidades justifica construir parcerias desde os
primeiros semestres, sem transformar a educação em promessa de emprego
garantido. Como gestor, entendo que essas decisões precisam reunir qualidade
acadêmica, equilíbrio financeiro e cumprimento das regras. É com essa visão
integrada que conseguimos colaborar com instituições e organizações na
preparação para 2027. Antecipar mudanças regulatórias só faz sentido quando esse
trabalho preserva a formação e busca benefícios concretos para a sociedade.
Qual
decisão sua instituição precisa tomar agora para unir qualidade acadêmica,
equilíbrio financeiro e desenvolvimento regional na preparação para 2027?

Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça
Gestor, Pesquisador de Governança e Liderança no Ensino Superior