“Quem não domina a ferramenta, vira ferramenta de quem domina”
Nas décadas de 1980 e 1990, dominar a datilografia e os primeiros softwares de computador deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de empregabilidade. Quem ignorou essa transição perdeu espaço nas rotinas produtivas. Hoje, a Inteligência Artificial Generativa coloca o Ensino Superior diante de uma encruzilhada semelhante: continuar tratando a tecnologia como ameaça ou incorporá-la como competência acadêmica, profissional e institucional.
Para docentes, reitores, pró-reitores, coordenadores e acadêmicos, a questão central já não é se a Inteligência Artificial chegou à educação. Ela já chegou. Segundo pesquisa do Instituto Semesp, cerca de 75% dos professores entrevistados reconhecem a tecnologia e a IA como aliadas no processo de aprendizagem. Portanto, o desafio deixou de ser apenas impedir o uso inadequado da ferramenta e passou a ser formar estudantes capazes de utilizá-la com ética, criticidade, produtividade e responsabilidade acadêmica.
Os números revelam uma mudança importante: a IA já não é hipótese distante nem simples ameaça disciplinar. Ela se tornou uma realidade acadêmica, profissional e institucional. Por isso, o debate mais relevante não está em proibir ou liberar o uso da tecnologia, mas em definir como ensinar, como orientar e como avaliar estudantes em um contexto no qual o acesso às ferramentas inteligentes será cada vez mais comum.
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O que os dados mostram |
Número-chave |
Leitura estratégica |
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Rede de Ensino Superior no Brasil |
2.580 IES |
A transformação precisa alcançar escala nacional. |
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Matrículas no Ensino Superior |
mais de 9 milhões |
Milhões de estudantes já serão impactados pela IA na formação e no trabalho. |
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Professores favoráveis ao uso da tecnologia e da IA |
cerca de 75% |
A resistência absoluta já não representa a maioria do debate docente. |
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Diretrizes institucionais sobre IA |
ainda em consolidação |
Oportunidade para IES liderarem boas práticas avaliativas. |
A prova tradicional, centrada na memorização e na repetição de conceitos, perde força quando sistemas de IA conseguem responder rapidamente a questões teóricas. A nova régua avaliativa precisa medir julgamento, curadoria, ética, argumentação, validação de dados e capacidade de resolver problemas reais. Isso exige uma construção conjunta entre MEC, Instituições de Ensino Superior e Setor Produtivo.
Não se trata de substituir o professor pela tecnologia, mas de reposicionar o papel docente: de fiscal do uso da IA para orientador estratégico da aprendizagem. O docente passa a ser ainda mais necessário, porque cabe a ele ensinar o estudante a perguntar melhor, comparar respostas, identificar vieses, checar fontes, tomar decisões e aplicar conhecimento em situações concretas.
Para as IES, esse movimento também é estratégico. Uma instituição que incorpora a IA de forma responsável fortalece a empregabilidade dos estudantes, amplia a conexão com o mercado, reduz o distanciamento entre teoria e prática e cria diferenciais competitivos em um cenário de forte disputa por retenção, relevância e qualidade acadêmica.
Assim como a datilografia e os computadores redefiniram o mercado em décadas passadas, o domínio crítico da Inteligência Artificial representa uma nova fronteira da formação superior. O valor do Ensino Superior não estará em competir com a máquina na memorização, mas em formar pessoas capazes de interpretar, decidir, criar e liderar no mundo real.
Para reflexão e debate:
1. A sua instituição ainda avalia principalmente a memorização ou já mede a capacidade de decisão dos estudantes na era da IA?
2. O uso da IA deve ser tratado como risco acadêmico, competência profissional ou ambos?
3. Como docentes, reitores, pró-reitores e acadêmicos podem construir juntos uma avaliação mais conectada ao mundo do trabalho?
Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça
Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro

