Na Missão Técnica da qual estou participando nestes dias, aqui na China, tenho feito uma reflexão sobre a educação em nosso país. Percebo que, para a transformação de uma nação, o planejamento é algo essencial. Esse planejamento na área educacional deve transpor os limites de um período de governo , levando-se em consideração um projeto de educação para a transformação do país a curto, médio e longo prazo.Nosso país não carece de diretrizes educacionais; dispomos de marcos normativos relevantes e de uma comunidade acadêmica altamente qualificada. No entanto, persiste um desafio estrutural: há uma dificuldade de transformar diretrizes em coerência sistêmica ao longo dos anos.
O que acontece hoje no Brasil é uma desconexão; ou seja, “o ensino se torna uma ilha”. Na prática, observa-se uma fragmentação entre os diferentes níveis de ensino. Educação Básica, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior operam em diferentes frequências, a partir de lógicas próprias, nem sempre articuladas entre si.Esse desalinhamento compromete a fluidez da trajetória formativa do estudante. Quando começamos algo com erro de milímetros, no final do processo, isso pode chegar a quilômetros. Na educação brasileira, esse erro acaba refletindo-se mais evidentemente no Ensino Superior, que passa a atuar, em muitos casos, como instância de recomposição formativa. Em vez de se consolidar como espaço de aprofundamento e produção de conhecimento, assume parcialmente um papel corretivo de nivelamento.Quem perde com isso somos todos nós, brasileiros. Sem profissionais totalmente aptos e qualificados, o desenvolvimento da nação fica comprometido, gerando consequências no desenvolvimento social do país.
A educação, quando pensada de forma integrada, deixa de ser apenas um campo setorial e passa a atuar como eixo estruturante do desenvolvimento nacional.Nesse sentido, torna-se imprescindível avançar na construção de mecanismos de articulação efetiva entre o poder público, as instituições de ensino em todos os níveis e as entidades representativas da área educacional. Mais do que um alinhamento pontual, o desafio está na construção de uma continuidade institucional capaz de sustentar políticas educacionais que ultrapassem ciclos de governo e se consolidem como políticas de Estado. As reflexões aqui apresentadas são parte de um percurso em construção, que envolve observação em campo, aprofundamento acadêmico e diálogo constante com profissionais da área.
E talvez a questão mais incômoda e necessária seja esta: se já sabemos onde estão as falhas de articulação, o que, de fato, ainda nos impede de corrigi-las? Estamos diante de limitações técnicas, institucionais ou de falta de convergência entre os próprios atores que compõem o sistema? Provocar esse debate com responsabilidade e profundidade talvez seja, hoje, tão importante quanto propor soluções.Fica o convite à reflexão, especialmente àqueles que acreditam que pensar a educação é, inevitavelmente, pensar no futuro do país,
Renato Camargo de Mendonça
Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro



