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quarta-feira, 20 de maio de 2026

EAD supera o presencial: o que esse dado revela sobre o futuro da Educação Superior?

 

    A Educação Superior brasileira acaba de atravessar um marco histórico. Pela primeira vez na série analisada pelo Mapa do Ensino Superior 2026, do Instituto Semesp, a modalidade de Educação a Distância superou o ensino presencial em número de matrículas. Em 2024, a EAD passou a concentrar 50,7% dos estudantes do Ensino Superior no Brasil, enquanto o presencial ficou com 49,3%. O dado confirma uma transformação que vinha se desenhando há anos e que agora se consolida como uma mudança estrutural no setor educacional. 

 

    Mais do que um movimento numérico, esse resultado revela uma mudança profunda no comportamento do estudante brasileiro. A busca por flexibilidade, mensalidades mais acessíveis, possibilidade de conciliar estudo e trabalho e maior familiaridade com tecnologias digitais ajudou a impulsionar a expansão da EAD. No entanto, o crescimento da modalidade já demonstra sinais de desaceleração: segundo o Semesp, a EAD cresceu 5,6% em 2024, abaixo dos patamares observados em anos anteriores, enquanto o presencial apresentou queda discreta de 0,5%.

 

 

 

    Esse cenário exige uma leitura madura por parte das instituições de ensino. O EAD não pode mais ser tratada como uma modalidade secundária, complementar ou apenas operacional. Ela se tornou protagonista no acesso ao Ensino Superior brasileiro. Ao mesmo tempo, seu crescimento impõe uma pergunta essencial: estamos ampliando apenas o número de matrículas ou estamos garantindo uma formação de qualidade, com acompanhamento, vínculo acadêmico, aprendizagem efetiva e permanência estudantil?

    O próprio Semesp alerta que, apesar do crescimento do setor, os desafios de permanência continuam relevantes. Em 2024, a taxa de evasão nos cursos presenciais foi de 24,8%, enquanto na EAD atingiu 41,6%. Esse dado mostra que a expansão da modalidade precisa vir acompanhada de estratégias consistentes de retenção, tutoria, mediação pedagógica, acolhimento, acompanhamento de desempenho e fortalecimento do vínculo entre estudante, curso e instituição. 

 

 

    Outro ponto relevante é o perfil dos ingressantes. Segundo o Mapa do Ensino Superior 2026, pelo quinto ano consecutivo o número de novos alunos na EAD foi maior do que no presencial. Além disso, a participação da EAD entre os ingressantes chegou a 73,5%, indicando que a modalidade absorveu grande parte do público que antes buscava o ensino presencial noturno, especialmente estudantes trabalhadores que precisam de maior flexibilidade para permanecer na graduação.

    Diante desse novo cenário, a discussão não deve ser reduzida a uma disputa entre EAD e presencial. O futuro da Educação Superior tende a ser cada vez mais híbrido, flexível, tecnológico e orientado por dados. O presencial continuará tendo papel essencial em cursos que demandam práticas laboratoriais, vivências clínicas, experiências presenciais intensivas e desenvolvimento de competências relacionais. Já a EAD tende a ocupar espaço estratégico quando bem estruturada, com desenho pedagógico adequado, professores preparados, tutores atuantes, recursos tecnológicos eficientes e avaliação de aprendizagem consistente.

    Para os gestores educacionais, o dado traz uma mensagem clara: não basta ofertar EAD; é necessário governar a EAD. Isso significa acompanhar indicadores de acesso, permanência, evasão, desempenho, satisfação discente, empregabilidade, qualidade dos materiais, interação docente-estudante e efetividade da aprendizagem. A modalidade que cresce sem controle acadêmico corre o risco de ampliar matrículas sem consolidar trajetórias formativas.

    Portanto, o fato de a EAD ter superado o presencial não deve ser lido apenas como uma vitória da tecnologia ou da flexibilidade. Deve ser interpretado como um chamado à responsabilidade institucional. A Educação Superior brasileira está mudando, e as instituições que conseguirem equilibrar inovação, qualidade, acompanhamento pedagógico e sustentabilidade acadêmica estarão mais preparadas para responder às demandas do novo estudante e do novo mercado de trabalho.

    O futuro da Educação Superior não será definido apenas pela modalidade de oferta, mas pela capacidade das instituições de entregarem formação relevante, acessível, humana e de qualidade seja no presencial, na EAD ou em modelos híbridos cada vez mais integrados.

Fonte: https://www.semesp.org.br/mapa/edicao-16

 

 


 Cristiane Procópio de Oliveira 

Psicóloga/ Consultora Educacional/Especialista em Planejamento e Processos Educacionais 

 

sábado, 6 de dezembro de 2025

EAD é flexível, mas evasão é alta, jovens fogem e o diploma vale menos no mercado?

  

    O Ensino a Distância (EAD) já responde por quase metade das matrículas no ensino superior brasileiro — 49,3% em 2023, segundo o Mapa do Ensino Superior do Instituto Semesp. Apesar do crescimento acelerado durante a pandemia, o ritmo desacelerou nos últimos anos, e a modalidade ainda enfrenta desafios históricos: altas taxas de evasão (40,3%), baixa atração entre jovens de 18 a 24 anos e uma concentração esmagadora na rede privada (95,9%). Para muitos, o EAD segue sendo visto como uma opção “menor”, ainda que essencial para a democratização do acesso.

 

Fonte:  15º Mapa do Ensino Superior do Brasil

  A busca por um marco regulatório para o EAD no Brasil é antiga e cheia de idas e vindas. A regulamentação inicial, com o Decreto 5.622/2005, estabeleceu as primeiras diretrizes, mas foi só em 2017, com a portaria do MEC que flexibilizou a oferta, que o setor explodiu. Em 2023, a CAPES publicou novas regras para pós-graduação, proibindo aulas totalmente assíncronas em mestrados e doutorados — um movimento que reflete a tensão permanente entre expansão e qualidade. Políticas como o FIES e o Prouni perderam força no EAD, e a falta de um financiamento estudantil robusto para a modalidade segue como entrave.

 Fonte: Jornalismo TV Cultura

 

    Geografia e cursos mostram um Brasil desigual no EAD. A região Sul lidera a proporção de matrículas (57,4%), seguida por Norte (51%) e Nordeste (42,7%). Já o Sudeste, embora concentre o maior número absoluto de alunos, tem menor penetração relativa. Pedagogia, Administração e Sistemas de Informação são os campeões de procura, mas áreas como Agricultura e Computação registraram os maiores crescimentos recentes. O perfil típico do aluno EAD é mais velho, trabalha e busca flexibilidade — um contraste claro com o estudante presencial, mais jovem e com maior poder aquisitivo.

As perspectivas para o EAD no Brasil apontam para consolidação, mas com exigências crescentes. A tendência é que ultrapasse o presencial em número de matrículas nos próximos anos, impulsionada por cursos de tecnologia, gestão e agronegócio. No entanto, o modelo precisará superar a evasão histórica, melhorar a percepção de qualidade e incorporar inovações como IA e metodologias ativas. A realização da COP30 em 2025 no Brasil também deve ampliar a demanda por cursos alinhados à sustentabilidade e ao agronomia e sistemas — áreas em que o EAD tem espaço para crescer. O desafio será equilibrar escala com excelência, para que a educação a distância deixe de ser um “plano B” e se torne de fato uma via de transformação educacional no país.

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 

 Recomendação de Leitura:

INSTITUTO SEMESP. Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025: 15ª edição. São Paulo: Semesp, 2025

XIMENES, Daniel de Aquino; ABRAMO, Marta Wendel. Dinâmica da construção da política pública de 2023 a 2025: uma análise do marco regulatório da EAD. [S.l.], 2025