Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de junho de 2026

“Não há educação sem cultura”: o alerta que as faculdades não podem ignorar

 


    No Festival LED, promovido pelo g1 e pela Globo, a atriz Fernanda Montenegro proferiu uma frase que deveria ecoar em todas as reuniões de colegiado do ensino superior brasileiro: “Não há educação sem cultura”. Ao lado dos escritores Raphael Montes e Socorro Acioli, e da cantora Linn da Quebrada, ela defendeu o diálogo entre artes e ensino como condição para uma formação verdadeiramente humana. O evento evidenciou que a cultura não é enfeite ou atividade extracurricular — é parte estruturante do processo educativo.

    A relação entre cultura e educação é intrinsecamente dialética. Enquanto a educação transmite saberes sistematizados, a cultura oferece os significados, as narrativas e as sensibilidades que dão sentido a esses saberes. Uma faculdade que forma profissionais tecnicamente competentes, mas culturalmente empobrecidos, forma mão de obra, não cidadãos. A literatura, o teatro, a música e as artes visuais desenvolvem pensamento crítico, empatia e capacidade simbólica — habilidades essenciais até mesmo para a inovação nas áreas técnicas e científicas.

    A necessidade de as faculdades brasileiras incorporarem a cultura em seus currículos tornou-se urgente. Em um mundo dominado por algoritmos, inteligência artificial e métricas frias de produtividade, a cultura é o antídoto contra o empobrecimento da experiência humana. Instituições de ensino superior que desprezam a formação cultural formam profissionais robotizados, incapazes de lidar com a ambiguidade, a criatividade e a ética — justamente o que as máquinas ainda não conseguem fazer.

    A solução pode começar sem grandes investimentos: incluir uma disciplina obrigatória de “Arte, Literatura e Pensamento Crítico” nos currículos de todas as graduações; promover uma hora cultural semanal com debates sobre filmes, livros e exposições; e integrar museus, teatros e centros culturais como extensão obrigatória da sala de aula. Não se trata de formar artistas, mas de formar seres humanos completos. Como bem lembrou Fernanda Montenegro, sem cultura, o diploma pode até existir — mas a educação, não.

Referência ABNT:

ALFANO, Bruno. ‘Não há educação sem cultura’: Fernanda Montenegro e escritores defendem diálogo entre artes e ensino no LED. O Globo, Rio de Janeiro, 21 maio 2026.

 

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 
Liderança em Educação Superior / Professor de Ciências Contábeis 
Graduação, Mestrado e Doutorado pela USP