

Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça
Gestor, Pesquisador de Governança e Liderança no Ensino Superior
Construindo pontes entre a academia e a sociedade por meio da liberdade de pensamento


Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça
Gestor, Pesquisador de Governança e Liderança no Ensino Superior
Você não pode resolver o problema da evasão e da obsolescência do aluno no mundo BANI apenas costurando um "puxadinho" pedagógico sobre uma matriz engessada. Isso, como bem descreve a sabedoria milenar, é "colocar um remendo novo em pano velho". A costura racha, o tecido cede e o estrago institucional é ainda maior.
Para que as microcertificações funcionem e gerem receita, todo o ecossistema da secretaria acadêmica à controladoria financeira deve convergir. Isso exige uma engenharia de Governança que poucos gestores sabem como desenhar na prática.
No meu novo artigo, discuto a estrutura estratégica para modularizar o PPC usando a autonomia da sua instituição, sem depender das amarras regulatórias do MEC, e apresento os indicadores que blindam o caixa da mantenedora.
Na minha última reflexão, discutimos como o mundo BANI (Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível) e o caos das constantes mudanças tributárias e das normas IFRS estão colapsando a saúde mental de alunos e professores presos a matrizes curriculares lineares de quatro ou cinco anos. Propus as microcertificações como o antídoto operacional.
A repercussão foi imediata, e um comentário de um leitor me chamou a atenção pela precisão analítica: “Implantar a microcertificação sem o apoio e as condições da alta gestão é como colocar um remendo novo em pano velho”.
Ele tem toda razão. Se tentarmos costurar a agilidade das microcertificações em um tecido institucional desgastado por processos burocráticos, silos organizacionais e sistemas rígidos de registro acadêmico, a estrutura vai rachar. Para que o currículo vivo pulse, todo o cenário acadêmico e administrativo deve convergir para esta etapa. A governança institucional é o "Passo Zero" para que a transformação seja sustentável.
Para entender como a convergência institucional funciona na prática, olhemos para o caso de uma IES regional que enfrentava uma evasão crônica de 24% no primeiro ano dos cursos de negócios. Os alunos justificavam a saída pela falta de retorno financeiro imediato diante das mensalidades.
A virada não ocorreu por um decreto isolado da coordenação de curso. Ela nasceu quando a Controladoria Financeira e o Núcleo Docente Estruturante (NDE) sentaram-se à mesa sob um mandato claro de governança corporativa:
Muitos gestores recuam diante das microcertificações por medo da morosidade regulatória. O que poucos exploram é que a legislação brasileira através da LDB nº 9.394/96 e das diretrizes de extensão (Resolução CNE/CES nº 7/2018), já concede autonomia para as instituições criarem certificações intermediárias sem a necessidade de novos atos autorizativos do ministério.
Se a sua governança está alinhada, o passo a passo prático para a implantação envolve quatro etapas fundamentais:
Passo 1: O Diagnóstico do Recorte Geográfico: a ementa do currículo vivo deve curar a dor do empresário local. Se a instituição está no interior ou em um polo regional, a governança deve direcionar as microcertificações para o adensamento das cadeias produtivas locais (ex: Gestão de Custos Agrícolas). Se está em uma grande capital, o foco migra para a hiperespecialização e economia digital (Engenharia de Prompt, Compliance/LGPD).
Passo 2: A Clusterização por Competências: o NDE analisa o PPC e agrupa disciplinas correlatas de dois ou três semestres sob um "guarda-chuva" de entrega prática. O bloco de horas deve equivaler a uma qualificação profissional real de mercado.
3. Blindagem Normativa e Jurídica Interna: aqui atua a alta governança. O Conselho Superior da instituição aprova uma Resolução Interna de Certificação Intermediária e Extensão. Esse documento valida juridicamente que os créditos cursados no bacharelado equivalem cumulativamente a um Certificado de Extensão Universitária.
4. Rastreabilidade de Valor (Medalhas Digitais): o valor precisa ser visto para ser percebido. A IES deve implementar a tecnologia de medalhas digitais criptografadas que os alunos anexam ao LinkedIn. Quando o mercado clica no selo, enxerga detalhadamente quais competências técnicas (auditoria SPED ou regras IFRS) o aluno domina.
Para garantir que a inovação não seja apenas um discurso de marketing, a controladoria e o pedagógico devem monitorar indicadores rigorosos de sucesso:
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KPI de Sucesso Institucional |
Meta de Mercado Recomendada |
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Taxa de Retenção de Calouros |
Redução esperada de 15% a 20% na evasão de calouros nos primeiros 12 meses. |
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Índice de Empregabilidade Precoce |
Mínimo de 35% dos alunos atuando na área até o 4º semestre. |
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Valor do tempo de vida do aluno (LTV) |
Aumento de 15% no valor total gerado pelo aluno durante sua permanência na IES. |
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Satisfação do Empregador Local (NPS) |
Empregabilidade acima de 50 (Escala 0-100) sobre a qualidade do microcertificado. |
Implantar microcertificações isoladas em um sistema antigo é apenas perpetuar o erro do pano velho. O verdadeiro papel da gestão moderna não é gerenciar o status quo de ementas estáticas, mas sim liderar a convergência estrutural da sua instituição.
Quando a governança desenha as condições ideais, protegemos o caixa da organização, valorizamos o professor como mentor de carreira e entregamos ao estudante as ferramentas exatas para enfrentar a volatilidade do mercado.
Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça
Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro