
Dados de uma pesquisa realizada pelo British Council, divulgados em outubro de 2025, escancaram uma realidade persistente: a desigualdade racial é um dos maiores obstáculos educacionais no Brasil. O estudo revela que, entre os jovens que interrompem os estudos antes de chegar à universidade, 3 em cada 5 são negros (pretos e pardos).
Esse grupo representa 63% dos que param de estudar até o ensino médio, um número desproporcional, já que os negros constituem 55,5% da população brasileira. A pesquisa, que ouviu mais de 3.000 jovens, evidencia que a população negra não só é minoria entre os diplomados no ensino superior, como compõe a maioria daqueles que são forçados a abandonar a sala de aula.
O principal motivo para a evasão escolar é a restrição financeira, apontada por 39% dos entrevistados. Na sequência, aparecem responsabilidades familiares e problemas de transporte (19% cada). A falta de apoio dos professores e o acesso limitado a cursos de qualidade também foram citados como fatores decisivos.
As consequências dessa exclusão educacional se refletem diretamente no mercado de trabalho. O relatório mostra que jovens brancos possuem uma renda 19% acima da média, enquanto os jovens pretos ganham, em média, 31% a menos. Mais da metade dos jovens pretos entrevistados recebe menos de 1,5 salário mínimo mensal.
Além das barreiras econômicas, o racismo estrutural se impõe no cotidiano. Um dado chocante indica que 86% dos jovens pretos e 71% dos pardos já vivenciaram situações de discriminação. As experiências vão desde ouvir piadas sobre a aparência e ser alvo de apelidos racistas até ter sua capacidade intelectual subestimada.
A pesquisa conclui que a superação desse cenário exige políticas públicas robustas, incluindo a promoção de um acesso equitativo à cultura, a formação pedagógica antirracista e, sobretudo, a criação de um processo mais participativo, onde os próprios jovens possam contribuir ativamente na formulação das políticas que lhes dizem respeito. O futuro do país depende diretamente de conseguirmos romper esse ciclo de desigualdade.
Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues