Mostrando postagens com marcador retenção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador retenção. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de julho de 2026

Primeira semana define a retenção de calouros e transferidos

 

 

    A chegada do mês de agosto marca um dos momentos mais críticos e decisivos para a gestão das Instituições de Ensino Superior (IES). É a hora de abrir as portas para o segundo semestre e acolher o corpo discente. Além da continuidade dos alunos veteranos, este período movimenta dois fluxos específicos de novos estudantes: os ingressantes do vestibular de meio de ano e uma parcela expressiva de alunos via transferência externa.

    Garantir uma recepção estratégica exige reconhecer a rotina real de quem ocupa as nossas salas: o universitário mapeado pelas pesquisas do setor, que divide suas energias entre o emprego formal e o sonho do diploma no ensino superior.

    Para esse público que enfrenta o cansaço do expediente e o transporte público para sentar na cadeira da faculdade, o tempo é o ativo mais escasso e valioso. É exatamente por isso que a primeira semana de aulas carrega o peso de definir a permanência ou a evasão precoce desse estudante.

 

1. O Aluno de Transferência: A Guarda Levantada e a Busca por Valor

 

    Ao contrário do jovem que acabou de sair do Ensino Médio, o aluno que chega por transferência externa traz uma bagagem diferente. Ele já experimentou o sistema educacional em outra instituição, sofreu com desencontros pedagógicos, gargalos financeiros ou falta de suporte e tomou a decisão difícil de mudar de rumo.

    Esse estudante chega à nova faculdade com a guarda levantada e com uma pergunta implícita no primeiro minuto de aula: "Será que aqui vai ser diferente ou eu cometi outro erro?".

    Se a resposta da IES no primeiro dia for um professor desmotivado, lendo prazos de provas, regras do sistema e ementas burocráticas em um slide escuro, a frustração é imediata. A percepção de valor despenca. Para o aluno trabalhador, a sensação de "perda de tempo" na primeira semana é a semente que germina na desistência antes do primeiro boleto vencer.

 

2. A Ruptura Necessária: Do Formalismo Burocrático ao Acolhimento Prático

 

    As instituições de vanguarda já compreenderam que a primeira semana de aula não é um período morto de transição burocrática; é uma janela de engajamento estratégico.

    Para virar o jogo da retenção e garantir o crescimento do IDD (Indicador de Diferença entre os Desempenhos) desde a largada, a acolhida do novo semestre deve ser estruturada sob três pilares práticos:

 

  • Pilar 1: Conexão Imediata com a Prática do Mercado (O Choque de Valor) No primeiro dia de aula, em vez de ler a ementa, o professor deve apresentar um desafio real e instigante do mercado de trabalho uma aplicação prática do que a disciplina vai entregar para a carreira do aluno. Quando o estudante de Ciências Contábeis, Direito ou Engenharia percebe, na primeira noite, uma ferramenta que ele pode usar na manhã seguinte no seu emprego, a chave da retenção vira
  • Pilar 2: Diagnóstico Discreto e Nivelamento Homeopático A primeira semana é o momento perfeito para o professor mapear, de forma acolhedora e sem exposição, as lacunas de base com as quais o aluno chega (seja ele calouro ou transferido de outra matriz curricular). Identificar de imediato as defasagens de leitura analítica ou raciocínio lógico permite planejar as "doses homeopáticas" de nivelamento que serão aplicadas ao longo do semestre.
  • Pilar 3: Acolhimento e Integração de Matrizes (O Efeito Ponte) para o aluno transferido, o maior pesadelo é o choque de equivalências e o sentimento de deslocamento nas turmas. A coordenação do curso precisa atuar de forma presente na primeira semana, criando um plano de navegação claro para esse estudante, mostrando como as disciplinas que ele já cursou se conectam com a nova matriz e garantindo que ele se sinta parte do ecossistema desde o primeiro dia.

3. A Governança do Primeiro Impacto: O Papel da Liderança

    Fazer da primeira semana um motor de permanência não é responsabilidade isolada do professor em sala de aula; é uma diretriz de governança corporativa que envolve a alta gestão, a direção acadêmica e os coordenadores de curso.

    A liderança precisa aproveitar as reuniões de alinhamento e as Semanas Pedagógicas para treinar o corpo docente sob essa mentalidade: a sala de aula é um ambiente de transformação contínua, onde o acolhimento humano e a exigência do rigor técnico caminham juntos.

    Quando a IES demonstra organização, clareza nas regras do jogo, respeito ao tempo do aluno trabalhador e um interesse genuíno pela sua trajetória de vida, ela estabelece um pacto de confiança. O aluno percebe que não está em mais uma fábrica de diplomas, mas em uma instituição parceira do seu projeto de sustento familiar e desenvolvimento regional.

 

Conclusão

 

    Não temos o direito de desperdiçar a energia e a esperança de quem decide ingressar ou transferir-se para a nossa faculdade neste semestre. Cada aluno trabalhador que se senta em nossas fileiras à noite representa uma família inteira que aposta na educação como única via legítima de ascensão social.

    Acolher esse estudante com inteligência pedagógica, eliminando o formalismo vazio do "cuspe e giz" desde a primeira noite, é o primeiro passo para construir um IDD de excelência e blindar a sustentabilidade da instituição.

    Afinal, a nossa premissa de gestão permanece clara:“O sucesso de uma instituição não se mede pelo aluno que ela matrícula na largada, mas pela dignidade daquele que ela consegue transformar e entregar ao mercado na linha de chegada.”

 


Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça

Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro

 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Da Copa do Mundo à Sala de Aula: Planejamento Estratégico contra a Evasão nas IES

 

 

    A história das Copas do Mundo de Futebol é um dos maiores laboratórios de estratégia e gestão do planeta. Nela, uma lição se repete a cada quatro anos de forma implacável: o talento isolado e o peso da camisa não são garantias de vitória.

    Se no futebol o apego a um esquema tático outrora vencedor pode eliminar uma seleção favorita ainda na fase de grupos, na gestão das Instituições de Ensino Superior (IES) o apego a matrizes curriculares rígidas e a monólitos de quatro ou cinco anos tem produzido um colapso silencioso e doloroso: a evasão precoce de alunos e o desperdício de recursos.

    A frustração de parar no meio do caminho é uma dor compartilhada. Para o estudante, representa um projeto de vida interrompido. Para a instituição, uma falha crítica de planejamento estratégico e de sustentabilidade financeira.

 

1. A Maldição do Campeão: Complacência e Obsolescência Tática

    Analise as Copas recentes e você notará um fenômeno intrigante: seleções campeãs do mundo foram eliminadas precocemente na edição seguinte: a França, em 2002; a Itália, em 2010; a Espanha, em 2014; e a Alemanha, em 2018.

    O que aconteceu com esses gigantes? Complacência. Mantiveram os jogadores, a mesma estrutura, a mesma leitura de jogo e ignoraram que os adversários haviam evoluído e aprendido a neutralizá-los.

    No Ensino Superior, muitas instituições sofrem da mesma maldição. Escoradas em marcas consolidadas e em avaliações passadas, ignoram que o mercado, o adversário, mudou as regras do jogo com o avanço do mundo BANI e da inteligência artificial. Continuar entregando ementas estáticas, esperando o resultado do passado, é repetir o roteiro dos campeões eliminados ainda na primeira rodada.

 

2. A Leitura de Jogo: Sinais que Antecipam o Futuro

    Na minha prática de gestão, carrego uma máxima que considero norteadora: “ouvir com atenção, com a intenção de entender a intenção de quem está falando”.

    Transposto para a liderança institucional, o princípio é simples: a IES precisa ler os sinais do mercado e da sociedade com a mesma atenção que dedicaria a uma pessoa, não como ruído de fundo, mas como mensagem.

    E os sinais hoje são claros. A inteligência artificial generativa encurtou o tempo entre aprender uma habilidade e ela se tornar obsoleta. A busca por formações de curta duração e por microcredenciais cresce ano a ano, enquanto cursos presenciais de longa duração perdem terreno. O estudante quer empregabilidade imediata, e não apenas um diploma ao final de um ciclo de quatro anos.

    O gestor que não lê esses sinais perde a capacidade de antecipação. O planejamento de uma IES precisa deixar de ser um documento estático, arquivado uma vez por ano, e passar a operar como um plano de jogo vivo, capaz de ler o campo e ajustar as linhas em tempo real.

 

3. A Perda de Recursos e o Custo do “Quase”

    No futebol profissional, uma eliminação precoce destrói investimentos milionários em patrocínio, logística e preparação. Na controladoria educacional, a mecânica é a mesma, mas o sangramento é contínuo, mês a mês.

    Cada aluno que evade, seja no primeiro, no segundo, no terceiro ou no quarto semestre, representa uma perda financeira para o fluxo de caixa da mantenedora. O custo de aquisição de aluno (CAC) já foi pago integralmente no esforço do vestibular.

    Quando esse estudante desiste na metade da jornada porque a matriz não entrega valor prático e flexível, a instituição perde o valor do tempo de vida do aluno (LTV) e ainda assume a ociosidade da estrutura que ficou reservada para recebê-lo.

    A falta de aprimoramento contínuo e de laboratórios práticos faz o aluno perder o envolvimento. Ele sente que está treinando para uma modalidade que já deixou de existir lá fora. O resultado é frustração, desengajamento e desperdício de recursos: captação alta, retenção baixa.

 

4. O Legado Intergeracional: Sabedoria Clássica e Novas Ferramentas

    Toda equipe campeã combina dois elementos: a leitura de jogo de uma comissão técnica experiente e a velocidade de execução de atletas em plena forma. Na evasão, muitas vezes o que se rompe é exatamente essa combinação.

    Outra máxima se impõe aqui: “se o velho pudesse e o jovem soubesse, não haveria algo que não se fizesse”. No ecossistema educacional, o "velho" é o nosso acúmulo de conhecimento estrutural, os fundamentos científicos intocáveis e a senioridade do corpo docente, ou seja, a comissão técnica que sabe como se vence um campeonato. O "jovem" é o estudante: tem energia, velocidade de absorção e domínio nativo das ferramentas digitais e de IA, mas ainda carece de direcionamento de longo prazo e de profundidade analítica.

    O segredo da governança moderna é construir essa ponte: trabalhar a matriz pedagógica para que o conhecimento consolidado da docência seja estruturado e traduzido na linguagem e nas ferramentas que o jovem já domina. Quando a fundamentação clássica da mentoria docente se alia à capacidade de execução tecnológica do aluno, damos a ele a bússola e as ferramentas certas para enfrentar as intempéries do mercado. Teoria e prática, experiência e inovação, não se anulam; multiplicam-se.

 

Conclusão

 

    A evasão não é uma força invisível do mercado. É reflexo das nossas escolhas táticas e da nossa capacidade de escuta.

    As instituições que sobreviverão e prosperarão nesta nova era são as que tiverem a sensibilidade de ler os sinais do presente para decifrar o futuro e a inteligência de integrar gerações e ferramentas em um plano coerente.

    Não podemos permitir que alunos e recursos fiquem pelo meio do caminho, seja no primeiro, seja no quarto semestre. É hora de reescrever o plano de jogo, envolver a comunidade e liderar a governança com a precisão de um técnico campeão do mundo.

    Afinal, só existe bom resultado onde houve, antes, boa preparação.

 

 


Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça

Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro

 

terça-feira, 19 de maio de 2026

O ROI da Permanência: Como a Inteligência Artificial e o Capital Humano Fecham a Conta no Ensino Superior

 

   

    A "Inteligência Artificial na retenção de alunos é custo ou investimento?" Como CFO, essa é a primeira pergunta que coloco na mesa quando discutimos inovação tecnológica no Ensino Superior. É preciso olhar para os números com responsabilidade.

    No meu último artigo, mostrei que 65% dos motivos de evasão dependem de fatores internos da instituição. O diagnóstico incomodou. Agora, precisamos falar sobre a solução e, principalmente, sobre como a conta fecha.

    A matemática da controladoria educacional é clara: a implementação de ferramentas preditivas (como Machine Learning e análise de dados em tempo real) gera um impacto altamente positivo no EBITDA. Reter os alunos ingressantes e veteranos é estrategicamente mais inteligente e drasticamente mais barato do que financiar novas campanhas de captação.

    A tecnologia sozinha não faz milagres. A IA atua como uma sentinela que nos entrega o dado cirúrgico ainda em março, mas é o nosso capital humano os professores, que considero os verdadeiros anjos da sala de aula que entrega a alma e o acolhimento antes do desfecho financeiro de abril.

    No artigo completo que compartilho hoje, abordo o ROI da Permanência, trazendo ferramentas práticas de mercado e cases reais (como o Grupo Ânima no Brasil e a Georgia State University) que provam que eficiência financeira e sensibilidade pedagógica andam juntas.

    Convido você a ler o texto completo abaixo e deixar sua percepção nos comentários: Sua instituição está olhando para o para-brisa da retenção preditiva ou apenas para o retrovisor caixa?


O ROI da Permanência: Como a Inteligência Artificial e o Capital Humano Fecham a Conta no Ensino Superior

 

    Em nossa última reflexão, analisamos de forma franca o nexo existente entre o comportamento acadêmico do estudante em março e o desfecho financeiro que se consolida em abril. Demonstramos que uma ação preditiva tem o poder de alterar drasticamente o resultado pedagógico e financeiro de um semestre, impactando o ciclo completo de um curso.

    Contudo, ao propormos a inovação tecnológica como remédio para a evasão, enfrentamos um questionamento legítimo de qualquer conselho de administração ou reitoria: “A implementação dessas ferramentas de Inteligência Artificial não vai inflar nosso Opex (custo operacional)?” A resposta exige uma visão estratégica de controladoria. Sim, a tecnologia gera um custo inicial.

     No entanto, a retenção de uma pequena fração de alunos que seriam perdidos não apenas cobre o investimento, mas gera um impacto altamente positivo no EBITDA institucional. Reter ingressantes e veteranos é financeiramente mais inteligente e drasticamente mais barato do que financiar novas campanhas de captação. Mitigar o Churn educacional é, antes de tudo, proteção de receita e garantia de sustentabilidade.

    Para que a instituição possa intervir em tempo real, a Inteligência Artificial passa a atuar como uma sentinela invisível e proativa. Em vez de dependermos de relatórios estáticos de notas ao final do bimestre, os algoritmos modernos analisam os rastros digitais que o estudante deixa no dia a dia.

    Plataformas de aprendizagem (LMS) dotadas de IA preditiva, como o Brightspace (D2L), e ferramentas de monitoramento integrado, como o Dropout Detective, cruzam dados complexos em tempo real. O sistema acompanha a assiduidade, o tempo de tela no ambiente virtual, a velocidade de interação nos fóruns de discussão, a entrega de seminários e até a frequência de acessos à biblioteca digital.

    Esses indicadores comportamentais geram um "Score de Risco de Evasão". A IA não substitui a decisão humana; ela acelera o diagnóstico. Ela entrega à coordenação o mapa exato de quem precisa de atenção ainda em março, permitindo que os sistemas de gestão preventiva, como os módulos analíticos da RP Educacional ou o CRM Educacional, disparem réguas de relacionamento personalizadas para acolher o estudante antes que a crise se converta em inadimplência ou trancamento.

    A aplicação dessa metodologia já transforma a realidade de grandes instituições, oferecendo caminhos claros para a gestão:

  • O Cenário Internacional: A Georgia State University (EUA) tornou-se referência global ao adotar um sistema de alertas precoces que monitorava centenas de variáveis de engajamento. A metodologia elevou a taxa de graduação em mais de 20 pontos percentuais, provando que a previsibilidade protege o percurso do aluno e o caixa da IES.
  • A Realidade Brasileira: No ecossistema nacional, o Grupo Ânima Educação destaca-se pelo uso de algoritmos de Machine Learning customizados para a realidade do estudante brasileiro, que, em sua maioria, assume a dupla jornada de trabalhador e graduando. O resultado é a reversão de quadros críticos de evasão pedagógica semanas antes do fechamento financeiro de abril.

    Toda instituição de ensino superior necessita de superávit para expandir seus laboratórios, modernizar sua infraestrutura e garantir a continuidade de sua missão. Contudo, o resultado financeiro positivo é apenas o reflexo visível da soma de todo o capital humano que move a instituição. E esse ecossistema merece ser reconhecido e aplaudido de pé.

    Se a Inteligência Artificial entrega o dado preciso, é o corpo docente e a coordenação que entregam a alma do processo. Os professores são os grandes anjos na condução de uma sala de aula capaz de desenvolver talentos, aprimorar competências e elevar a excelência das habilidades.

    O acolhimento institucional demonstra ao aluno que pensa em evadir que ele tem um lugar ali, que ele faz parte daquela comunidade acadêmica. Suas fragilidades iniciais são acolhidas e compreendidas, respeitando o fato de que a construção de competências pode demandar um tempo mais extenso para uns do que para outros. Como bem sintetiza uma bela sabedoria popular de autor desconhecido:

    "Nós devemos ser como as estrelas. Ter nosso próprio brilho; umas brilham mais que as outras, mas todas têm o seu brilho." O papel do educador é justamente garantir o suporte necessário para que cada estrela encontre o seu momento e o seu compasso de brilhar.

    O renomado pensador da retenção estudantil, Vincent Tinto, preconiza que o custo da evasão vai muito além do financeiro: trata-se da perda de um potencial humano que a instituição falhou em nutrir. Para o gestor moderno, essas duas esferas são indissociáveis.

    Defendo firmemente o princípio de que, antes de julgar ou cobrar algo, devemos conhecer a história e dar as ferramentas adequadas. Só após esse processo estruturado de suporte podemos analisar com a cautela e a profundidade necessárias toda a complexidade que envolve a permanência estudantil.

    Dar as ferramentas adequadas hoje significa empoderar nossos professores e coordenadores com inteligência preditiva de dados em tempo real. Ao unirmos a precisão tecnológica da Inteligência Artificial ao calor humano e à sensibilidade do nosso corpo docente, transformamos o risco de evasão em um superávit de talentos e sustentabilidade institucional

#GestãoEducacional #EnsinoSuperior #ControladoriaEstratégica #EBITDAEducacional #SEMESP  #RetençãoDeAlunos #CapitalHumano

 

 

Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça

Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro