Essa
disparidade não é acidental. Reflete deficiências históricas no ensino
básico, especialmente em matemática e ciências, que desestimulam os
jovens desde cedo. O texto jornalístico do Estadão
da reportagem "Alunos em tecnologia, ciências, engenharia e Matemáticas são 16%; países ricos tem 23%" alerta para a "baixa qualidade
do ensino de Matemática e ciência nas escolas", um problema crônico que
se reflete na drástica redução de 51% no número de alunos de Engenharia
Civil desde 2015. A complexidade dos cursos de engenharia, associada à
falta de incentivos concretos, afasta talentos. Enquanto isso, a
formação em STEM é sinônimo de menor desemprego e melhores salários no
mundo todo — um ciclo virtuoso que o Brasil não aproveita.
O relatório destaca ainda que "as áreas STEM são particularmente valorizadas no mercado", criando um paradoxo perverso: há demanda por esses profissionais, mas o país não consegue formá-los em quantidade suficiente. Essa lacuna ameaça diretamente nossa capacidade de inovação e competitividade industrial, especialmente em setores estratégicos como energia limpa, inteligência artificial e biotecnologia.
Outro aspecto crucial é a questão de gênero nas carreiras científicas. Conforme apontado pela OCDE, as mulheres são sub-representadas em STEM, dominando majoritariamente a área da Saúde. Essa disparidade não só perpetua desigualdades, como priva o país de talentos essenciais para o desenvolvimento tecnológico. Urge criar políticas específicas que incentivem a participação feminina nessas áreas desde a educação básica.
Para reverter esse cenário, é urgente uma política de Estado que priorize a educação científica desde a infância. Investir na capacitação de professores, modernizar laboratórios e promover a cultura da experimentação são passos essenciais. Além disso, é preciso valorizar financeiramente carreiras em STEM, criar bolsas de estudo e estreitar a ligação entre universidades e setor produtivo, seguindo o exemplo de países como Coreia do Sul e Finlândia, que aparecem no relatório com mais de 30% de formados nessas áreas.
Sem uma mudança estrutural, continuaremos importando tecnologia e perdendo oportunidades de inovação. O futuro exige engenheiros, cientistas e tecnólogos. Cabe ao Brasil decidir se quer formar — ou apenas assistir — a essa revolução. O momento de agir é agora, antes que o gap educacional se transforme em um abismo econômico intransponível.
by
Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues
