Comemora-se, com frequência, o
fato de o Brasil ter alcançado a marca histórica de 10 milhões de alunos
matriculados no ensino superior. À primeira vista, o número impressiona pela
relevância estatística, mas quando abrimos a “caixa preta” desses dados, encontramos
uma realidade incômoda: mais de 50% dos alunos matrículas são pessoas com 25
anos ou mais; estamos atrasando a formação dos nossos jovens.
O Brasil possui cerca de 22,3
milhões de jovens na faixa de ingresso universitário (18 a 24 anos). No entanto,
desse montante, somente 22,9% conseguem ingressar no Ensino superior no período
considerado ideal. Onde estão os outros 77,10%?
A resposta é dura; o sistema
“expulsa” o jovem de 18 anos para o mercado de trabalho. Ele só consegue
retornar ao sistema de ensino quando atinge uma relativa estabilidade
financeira, geralmente após os 25 anos.
O olhar se volta para a nossa
maior dor no momento: o fator socioeconômico. Esses jovens não desistiram de
estudar, eles apenas precisaram adiar esse projeto para sobreviver. Atualmente,
metade dos nossos universitários tem 25 anos ou mais. O contexto deixa claro
que o jovem de baixa renda raramente consegue dar continuidade aos estudos
imediatamente após o ensino médio.
Essa barreira gera um fenômeno do
“Universitário Maduro por Necessidade”. Quase metade dos nossos alunos carrega
o peso de jornadas duplas, lacunas na formação básica e a constante pressão
financeira.
O gráfico abaixo demonstra o
ingresso dos jovens no período coerente com a idade. Abrir as portas das universidades deve ser
uma meta crescente, tratada com políticas públicas e meios de financiamento
mais adequado à realidade da população. Quando analisamos o gráfico percebemos
que o Brasil esta na lanterna da continuidade do ensino médio para o Superior.

A
conversão dos países sul-americanos demonstra uma eficiência em comparação ao
Brasil. O ponto crucial não é somente a entrada, mas a continuidade até a
formatura. Este é um desafio hercúleo para as Instituições de Ensino Superior
(IES). O panorama na América do Sul nos traz dados que precisam ser estudados
com urgência para que a evasão seja sanada de forma gradativa e consistente

“Será que a evasão não é um sintoma final de uma Instituição
que insiste em ensinar o em vez do “Saber resolver”. Esse gráfico
deveria tirar o sono de qualquer gestor educacional. O contraste é violento,
especialmente na Argentina, que detém o maior índice de ingresso imediato
(72%), mas onde somente 30% chegam à formatura. No Brasil, sofremos de uma
dupla falha: além da menor transição imediata, o funil da evasão continua vivo,
mesmo para quem decide adiar o sonho em prol do trabalho.
É fácil culpar o aluno que “falta
esforço”. Mas a provocação que este gráfico faz às IES é mais profunda: que o exige e os alunos valorizam)?”
Como gestores, precisamos unir forças entre as IES do Brasil
para buscar alternativas financeiras que aumentem o ingresso, mas acompanhadas
de um verdadeiro “Choque de didática” para estancar a evasão. Essa
mudança deve ser gradativa, porém focada.
O contexto, a
modernização com inteligências Sociais e Artificiais é fundamental para o
desenvolvimento e engajamento dos estudantes. Afinal, a dinâmica mudou: não
vivemos mais a era em que o mais importante era apenas “saber fazer”. Hoje, o
valor real está em “saber como faze e ter capacidade de resolução”.
Renato Camargo de Mendonça
Professor, Contador Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro
Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues
Editor e Fundador do Blog