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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Ensino Superior: 2027

  
  Como decidir sobre cursos, investimentos e parcerias em um período de incerteza política e regulatória? Na passagem de 2026 para 2027, as instituições precisam acompanhar as regras e se preparar, em vez de apenas esperar por definições. 
    O ensino superior contribui para a formação das pessoas e para o desenvolvimento regional. Com as margens pressionadas, manter as atividades e crescer exige uma visão tridimensional: qualidade acadêmica, equilíbrio financeiro e cumprimento das regras. Cada decisão precisa fazer sentido nessas três dimensões. 
    Cumprir as regras e usar bem os recursos devem fazer parte da mesma estratégia. É isso que chamo de hedge regulatório: uma forma de reduzir a exposição a problemas regulatórios, não um instrumento financeiro. As exigências do Ministério da Educação (MEC) e os efeitos das novas regras precisam orientar o planejamento e o diálogo com possíveis parceiros, inclusive em fusões e aquisições. Estar em conformidade, porém, não garante essas parcerias. 
    Os incentivos a seguir são propostas para debate, não benefícios já em vigor. Sua adoção dependeria de avaliação jurídica, fiscal e educacional, com regras claras e preservação da qualidade acadêmica. 
    A aproximação entre instituições de ensino, empresas e órgãos reguladores exige responsabilidades claras: 
    1. Papel do MEC: Defendo que o Ministério lidere, em diálogo com os demais órgãos competentes, a construção de regras que aproximem as empresas da formação acadêmica. Além de fiscalizar, a regulação pode estimular parcerias e reconhecer resultados das instituições e das empresas participantes.
     2. Incentivos para as empresas: Proponho avaliar benefícios financeiros, fiscais e regulatórios para empresas que compartilhem desafios e participem da formação desde os primeiros semestres. Entre as possibilidades estão deduções tributárias ligadas à pesquisa e ao desenvolvimento, prioridade em linhas de financiamento e compensações pela participação na formação dos futuros profissionais. 
    3. Benefícios para as instituições: Proponho avaliar benefícios regulatórios para IES que demonstrem contribuição para a região e bons resultados profissionais de seus formados. Entre as possibilidades estão prioridade na distribuição de vagas de programas federais e facilitação de recredenciamentos, sempre preservando as exigências de qualidade. A contribuição para a economia e a produtividade regional pode complementar, mas não substituir, a avaliação da formação. 
 
    As famílias precisam entender o que a formação oferece em aprendizagem e perspectivas profissionais. As empresas, por sua vez, precisam de conhecimento aplicado aos desafios do dia a dia. Aproximar essas necessidades justifica construir parcerias desde os primeiros semestres, sem transformar a educação em promessa de emprego garantido. Como gestor, entendo que essas decisões precisam reunir qualidade acadêmica, equilíbrio financeiro e cumprimento das regras. É com essa visão integrada que conseguimos colaborar com instituições e organizações na preparação para 2027. Antecipar mudanças regulatórias só faz sentido quando esse trabalho preserva a formação e busca benefícios concretos para a sociedade.
     Qual decisão sua instituição precisa tomar agora para unir qualidade acadêmica, equilíbrio financeiro e desenvolvimento regional na preparação para 2027? 
 
 

Prof. Me. Renato Camargo de Mendonça

Gestor, Pesquisador de Governança e Liderança no Ensino Superior

 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O modelo do ensino superior atual acabou

      

    O modelo de ensino superior privado do país passa por muitas modificações, e este novo cenário nos faz perceber que a atual forma como o Ministério da Educação avalia os cursos está defasada, pois o modelo vigente não prioriza a aprendizagem, mas sim a estrutura do curso — o que pode ser notado pelo instrumento de avaliação atual, bem como pelas notas discrepantes entre a avaliação dos cursos e a avaliação da aprendizagem dos alunos (Enade ou Enamed).

    É inegável que existe um problema e que a avaliação realizada deixa escapar a aprendizagem do aluno ao contemplar outros objetivos que deveriam ser o cerne do processo avaliativo. Por que enfrentamos esse problema no presente?

    A rede privada é um conjunto complexo de instituições, no qual se torna muito difícil representá-la por uma média ou imagem, pois temos grandes grupos com ações na bolsa, grupos internacionais, grandes universidades com presença nas capitais, fundações, igrejas, grandes instituições do interior e pequenas instituições.

    Assim, entender o instrumento de avaliação e aplicá-lo não é difícil quando se possui recurso, pois o questionário atual é pequeno, e a maioria dos pedidos pode ser atendida para um ou mais cursos — ou seja, seu custo pode ser dividido internamente.

    Neste momento, devemos refletir sobre o motivo de termos cursos com nota máxima na avaliação do MEC, mas com notas insuficientes na avaliação da aprendizagem de seus alunos. Para quem leciona, a resposta é fácil: a nota passa pelo docente.

    O docente é o fator mais importante do ensino superior, pois ele transmite seu esforço e paixão ao processo de ensino e aprendizagem do aluno. O professor decide sobre o respeito ao Projeto Pedagógico, sobre a atualização do seu Plano de Ensino, acerca da metodologia atualizada para cada tópico ementário de sua disciplina e por utilizar ou não o livro base, a biblioteca ou o laboratório.

    Ao observarmos o docente universitário, entenderemos o motivo do ensino superior privado estar em crise, pois a virtualização pode ser entendida como uma tentativa de retirar sua necessidade ou mesmo de substituí-lo por profissionais menos qualificados ou por um simples PDF. Sua forma de contratação como horista é boa para a instituição, mas terrível para quem planeja ter uma família, pois não garante sequer o salário mínimo — há docentes que não recebem por mês o valor do salário mínimo, sem falar que a convenção coletiva parte do pressuposto de que os docentes não precisam se alimentar, já que não contempla vale-alimentação ou refeição, ao menos em São Paulo.

    Tenho visto muita discussão sobre o novo instrumento de avaliação do MEC, sobre qualidade do ensino, sobre instituições que passam por dificuldades financeiras, sobre falta de docentes, queda nas matrículas, mas vejo pouca gente discutindo como tratar o docente com respeito e dignidade.




Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 
Liderança em Educação Superior / Professor de Ciências Contábeis 
Graduação, Mestrado e Doutorado pela USP