O Ensino a Distância (EAD) já responde por quase metade das matrículas no ensino superior brasileiro — 49,3% em 2023, segundo o Mapa do Ensino Superior do Instituto Semesp. Apesar do crescimento acelerado durante a pandemia, o ritmo desacelerou nos últimos anos, e a modalidade ainda enfrenta desafios históricos: altas taxas de evasão (40,3%), baixa atração entre jovens de 18 a 24 anos e uma concentração esmagadora na rede privada (95,9%). Para muitos, o EAD segue sendo visto como uma opção “menor”, ainda que essencial para a democratização do acesso.
Fonte: 15º Mapa do Ensino Superior do Brasil
A busca por um marco regulatório para o EAD no Brasil é antiga e cheia de idas e vindas. A regulamentação inicial, com o Decreto 5.622/2005, estabeleceu as primeiras diretrizes, mas foi só em 2017, com a portaria do MEC que flexibilizou a oferta, que o setor explodiu. Em 2023, a CAPES publicou novas regras para pós-graduação, proibindo aulas totalmente assíncronas em mestrados e doutorados — um movimento que reflete a tensão permanente entre expansão e qualidade. Políticas como o FIES e o Prouni perderam força no EAD, e a falta de um financiamento estudantil robusto para a modalidade segue como entrave.
Fonte: Jornalismo TV Cultura
Geografia e cursos mostram um Brasil desigual no EAD. A região Sul lidera a proporção de matrículas (57,4%), seguida por Norte (51%) e Nordeste (42,7%). Já o Sudeste, embora concentre o maior número absoluto de alunos, tem menor penetração relativa. Pedagogia, Administração e Sistemas de Informação são os campeões de procura, mas áreas como Agricultura e Computação registraram os maiores crescimentos recentes. O perfil típico do aluno EAD é mais velho, trabalha e busca flexibilidade — um contraste claro com o estudante presencial, mais jovem e com maior poder aquisitivo.
As perspectivas para o EAD no Brasil apontam para consolidação, mas com exigências crescentes. A tendência é que ultrapasse o presencial em número de matrículas nos próximos anos, impulsionada por cursos de tecnologia, gestão e agronegócio. No entanto, o modelo precisará superar a evasão histórica, melhorar a percepção de qualidade e incorporar inovações como IA e metodologias ativas. A realização da COP30 em 2025 no Brasil também deve ampliar a demanda por cursos alinhados à sustentabilidade e ao agronomia e sistemas — áreas em que o EAD tem espaço para crescer. O desafio será equilibrar escala com excelência, para que a educação a distância deixe de ser um “plano B” e se torne de fato uma via de transformação educacional no país.
Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues
Recomendação de Leitura:
INSTITUTO SEMESP. Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025: 15ª edição. São Paulo: Semesp, 2025
XIMENES, Daniel de Aquino; ABRAMO, Marta Wendel. Dinâmica da construção da política pública de 2023 a 2025: uma análise do marco regulatório da EAD. [S.l.], 2025
