quinta-feira, 9 de abril de 2026

Do “Saber fazer” ao “Saber Resolver”: O diploma é uma licença não o destino final

     

     Conforme mencionado no artigo anterior, sobre o saber fazer e o saber resolver, vamos expor alguns pontos importantes. Procurei estudar mais afundo sobre o tema. Vivo diariamente em um equilíbrio constante: de um lado a precisão dos números; de outro, a complexidade do desenvolvimento humano. Foi publicado pelo IPEA¹ (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), um dado que demonstra uma métrica alarmante para esse balanço: 38% dos trabalhadores com ensino superior no Brasil ocupam cargos que não exigem graduação. Na qualidade de gestor e educador, a pergunta que faço não é apenas “onde está o emprego”? , mas sim: “por que o mercado não está absorvendo e reconhecendo o valor desses diplomas”. Eu acredito que a resposta reside na enfermidade pedagógica que ainda prioriza o “modelo pronto” em vez da capacidade de resolução.

    Por décadas, o ensino superior focou no SABER FAZER. Formamos excelentes operadores de ferramentas e seguidores de manuais. No entanto, em 2026, a inteligência Artificial já faz essas tarefas com eficiência e rapidez. Referência: IPEA. Boletim de Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise. Brasília: Ipea, 2024. (Seção: "Sobre educação e Descompasso Educacional no Brasil"). As Instituições de Ensino, estão desalinhadas com as necessidades mercadológicas. O mercado hoje não busca apenas quem carregue uma “caixa de ferramentas” (teorias); busca quem saiba o que construir com elas. Saber fazer é uma etapa operacional; saber resolver é o diferencial estratégico que o mundo corporativo exige.

    Em minha vivência como professor universitário, percebo uma dualidade clara na percepção de aprendizagem dos alunos, muitas vezes derivada de suas bases escolares. Estudantes com base em escolas particulares, tendem a chegar nas IES com uma mentalidade mais próxima do “solucionador”. Foram estimulados ao debate, ao improviso e a buscar saídas diante de problemas abertos. Estudantes com base em escolas públicas, em muitos casos, chegam com a concepção de que o aprendizado depende estritamente de um modelo pronto. Buscam o “passo a passo” para se sentirem seguros. É preciso ser enfático; e dizer que não me refiro a condições financeiras, mas sim a uma arquitetura mental de aprendizado. O sistema público, muitas vezes engessado por currículos massificados, condiciona o jovem a ser um excelente “seguidor de processos”, enquanto o mercado exige “criadores de soluções” a Universidade deve ser o grande equalizador, desmamando” o aluno da dependência de modelos para torná-lo profissional autônomo e proativo.

    Fui buscar informações, para saber se tem países que já superaram essa fase do saber fazer para o saber resolver. Na busca encontrei dois países que hoje são referências nesse novo modelo. A Finlândia e o Phenomenon – Based Learning (aprendizado baseado em Fenômenos): o conhecimento não é fragmentado em “gavetas” de disciplinas. O aluno estuda um fenômeno real e precisa integrar contabilidade, lógica e ética para propor uma solução. O resultado? Profissionais com alta capacidade de aprendizado autodirigido. Singapura e o Ensino aplicado; por meio do programa Skills future, as IES co-desenham o currículo pedagógico com as indústrias. O aluno acumula micro credenciais práticas. O recém-formado chega ao mercado de trabalho com segurança de quem não trava diante da ambiguidade.

    Em minha visão para sanar o desperdício de talentos no Brasil, as IES precisam de novos protocolos: Aprendizado baseado em problemas (ABP) Aprendizagem Baseado em problemas: o erro deve ser visto como laboratório não como falha. IA como Copiloto Estratégico: Delegar o trabalho “braçal” à tecnologia para avaliar o aluno pela sua capacidade de análise crítica e critério de resolução. Precisamos ser honestos com nossos alunos: o diploma nos dá uma licença para trabalhar, uma autorização formal para entrar no jogo. No entanto, a autoridade profissional e o conhecimento real são conquistados na prática e no aprendizado contínuo. Essa “licença” precisa estar conectada ao mundo real. Uma Universidade que não simula o “caos” do mercado entrega apenas um papel, não uma carreira. O diploma é o ponto de partida, mas a capacidade de resolução é o que define quem realmente permanece no jogo e transforma realidade.

 

Referência: IPEA. Boletim de Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise. Brasília: Ipea, 2024. (Seção: "Sobre educação e Descompasso Educacional no Brasil"). 

 

Renato Camargo de Mendonça

Professor, Contador, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro