A prática da leitura, pilar fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional, enfrenta um declínio alarmante em escala global. Nos últimos 20 anos, os EUA registram uma queda de mais de 40% nos leitores por prazer, tendência que se repete com gravidade no Brasil, onde, pela primeira vez, os "não leitores" (53%) superaram os leitores em 2024. Especialistas apontam a combinação de distrações digitais, mudanças nos hábitos de lazer e desigualdades no acesso como os motores dessa retração preocupante, que põe em risco não só a cultura, mas a saúde pública.
Diante deste cenário, políticas públicas internacionais tentam frear a erosão do hábito leitor. Iniciativas vão desde campanhas nacionais de incentivo, como as observadas em países europeus com altos índices de leitura (Irlanda, Finlândia, Suécia), até programas de subsídio e acesso a livros em bibliotecas e escolas. O foco tem sido combater a disparidade socioeconômica no acesso e promover a leitura desde a infância, reconhecendo o livro físico como ferramenta crucial para uma compreensão mais profunda, especialmente entre os jovens.
A ausência da leitura compromete severamente o desenvolvimento intelectual e a mobilidade social. A leitura expande o vocabulário, o pensamento crítico e a capacidade de abstração – competências essenciais para o sucesso acadêmico e profissional. Sem ela, perpetua-se um ciclo de desigualdade: indivíduos com menor acesso a livros e estímulos literários encontram mais barreiras para ascender socialmente pelo estudo, ampliando o abismo educacional e limitando oportunidades.
As universidades brasileiras, como agentes de transformação social, têm um papel crucial a desempenhar. Podem liderar a criação de programas de extensão que levem bibliotecas itinerantes e clubes de leitura a comunidades periféricas. Internamente, podem integrar a leitura por prazer em seus currículos, promover debates acessíveis com autores e fortalecer parcerias com editoras para reduzir o custo de livros. Ao assumirem a vanguarda dessa missão, as instituições de ensino superior podem ser a chave para reescrever o futuro da leitura no país.
Fonte:
FREUND, Alexander; CORRÊA, Fábio. Leitura tem queda dramática – e preocupante – pelo mundo. G1, 06 fev. 2026.
