A internacionalização do ensino superior transcende o intercâmbio de estudantes. É um processo estratégico e multifacetado que integra uma instituição à comunidade acadêmica global, incorporando dimensões internacionais em seu ensino, pesquisa e extensão. Isso se materializa em parcerias formais, publicações científicas em coautoria internacional, mobilidade de docentes e discentes, oferta de currículos com perspectiva global e atração de talentos estrangeiros. Trata-se de um critério essencial para a excelência, mensurado por rankings de prestígio mundial, como o Times Higher Education (THE).
O THE avalia essa dimensão através de três pilares: a "proporção de colaboração internacional em artigos científicos" (onde o Brasil tem seu melhor desempenho), a "proporção de acadêmicos internacionais" e a "proporção de estudantes internacionais". No cenário nacional, as universidades públicas estaduais e federais dominam as primeiras colocações. A Universidade de São Paulo (USP) lidera, seguida de perto por instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que figuram no top 200 mundial do indicador de colaboração internacional em pesquisa, demonstrando uma vigorosa integração às redes globais de conhecimento.
Um fenômeno marcante na geopolítica do conhecimento é a ascensão meteórica da China nos rankings. O país não apenas consolidou universidades de classe mundial como também se tornou um parceiro científico incontornável. Reconhecendo essa nova realidade, o Semesp – entidade representativa de mantenedoras de ensino superior – organizou uma missão técnica à China. O objetivo é decodificar as estratégias que alçaram suas universidades ao topo, buscando aprender com políticas de atração de talentos, investimento massivo em pesquisa e modelos ágeis de gestão acadêmica que poderiam inspirar ajustes no modelo brasileiro.
Fonte: TV SIMI
Diante desse cenário de competição global acirrada, um questionamento se impõe: onde estão as instituições brasileiras nesse mapa da internacionalização? Sua notável ausência nas posições de destaque dos rankings revela uma desconexão preocupante com os padrões mundiais de excelência. Enquanto as públicas, mesmo com recursos limitados, avançam na colaboração internacional, o setor privado, que responde pela maior parte das matrículas, parece relegar a projeção global a um plano secundário. A pergunta que fica é se a visão meramente mercadológica, focada no âmbito doméstico, será suficiente para formar cidadãos e profissionais aptos a liderar em um mundo sem fronteiras intelectuais. A internacionalização deixou de ser um adereço de prestígio; é uma condição de sobrevivência e relevância acadêmica no século XXI.

