Os números do Censo Escolar 2025 escancaram um encolhimento histórico: em apenas um ano, o Brasil perdeu mais de 1 milhão de matrículas na educação básica. O ensino médio, em particular, atingiu o menor patamar de alunos do século XXI, com uma redução de aproximadamente 5,39% em relação ao ano anterior. O estado de São Paulo concentra a maior queda, com 251.987 estudantes a menos nas salas de aula. O Ministério da Educação atribui o fenômeno à redução da população em idade escolar e à diminuição da repetência, mas o dado acende um alerta estrutural: há menos jovens caminhando para a etapa final da educação básica.
Diante desse cenário, o governo federal lançou mão de duas estratégias para tentar segurar o jovem na escola. O programa Pé-de-Meia passou a pagar um auxílio financeiro de R$ 1.000 por ano aos aprovados no ensino médio, enquanto o Novo Ensino Médio promoveu mudanças curriculares na tentativa de tornar a etapa mais atrativa. Os resultados, no entanto, ainda não aparecem nas estatísticas: a queda de matrículas em 2025 superou até mesmo a registrada durante a pandemia, sugerindo que o problema vai além da questão econômica e toca em fatores como desinteresse e desalinhamento entre a escola e as expectativas dos adolescentes.
A tendência de queda no número de concluintes do ensino médio projeta um impacto direto no ensino superior nos próximos anos. Dados do Mapa do Ensino Superior 2025 mostram que a rede privada já sente os efeitos da desaceleração: enquanto o ensino a distância (EAD) mantém crescimento de 13,4%, os cursos presenciais registraram retração de 1,0% nas matrículas. Com menos jovens saindo do ensino médio, as Instituições de Ensino Superior (IES) privadas presenciais enfrentarão uma disputa ainda mais acirrada por um público cada vez mais escasso, agravando a já preocupante taxa de evasão de 61,3% na rede privada.
Para evitar o colapso de modelos de negócio inteiros, será preciso repensar a articulação entre as etapas de ensino. Políticas públicas como o FIES e o Prouni precisam ser revitalizadas para ampliar o acesso, mas as IES também devem diversificar seu público-alvo, investindo em nichos em expansão — como os cursos relacionados ao agronegócio, que registraram aumento de 26% nas matrículas presenciais e oferecem salários 9,4% mais altos. Mais do que nunca, a sobrevivência do ensino superior presencial dependerá da capacidade de atrair não apenas os jovens, mas também um contingente de adultos que ainda não completaram a graduação.
