Um relatório global encomendado pela Coursera e realizado pelo Censuswide, em outubro de 2025, ouviu 4.261 estudantes e educadores de universidades no Reino Unido, Estados Unidos, Índia, México e Arábia Saudita. A pesquisa revela que 95% dos entrevistados já utilizam ferramentas de inteligência artificial, e 81% avaliam que a IA está tornando a experiência educacional melhor. Apesar do entusiasmo, os dados escancaram um dilema: como integrar a tecnologia sem comprometer a integridade acadêmica e as interações humanas?
Os números mostram uma adesão maciça e estratégica. Quase metade dos respondentes (47%) aponta a personalização do aprendizado como o principal benefício, seguido por ganhos de produtividade e suporte ampliado (41%). Entre os estudantes, 80% afirmam que suas notas melhoraram com o uso da IA – 35% deles relatam uma evolução “substancial”. No entanto, 37% dos participantes temem que a máquina reduza a interação humana e diminua as habilidades interpessoais, enquanto outros 37% se preocupam com o aumento de plágio. O paradoxo fica evidente: 71% acreditam que a IA pode melhorar a qualidade das avaliações, mas 24% dos alunos admitem já ter entregue trabalhos gerados pela ferramenta sem declarar o uso.
Na América Latina, o México, único país da região incluído na amostra, apresenta dados que podem espelhar a realidade brasileira. Por lá, 73% dos entrevistados veem a IA de forma positiva, e 78% acreditam que a tecnologia elevará a qualidade da educação no futuro. Contudo, 40% manifestam preocupação com a redução das interações presenciais, e 43% temem o aumento da desonestidade acadêmica. Instituições como a Universidade Peruana de Ciências Aplicadas já utilizam ferramentas como o Coursera Coach para oferecer suporte 24/7 e quebrar barreiras idiomáticas, sinalizando um caminho possível para a região.
O relatório conclui que a IA veio para ficar, mas sua governança ainda engatinha. Apenas 26% dos educadores afirmam que suas universidades possuem uma política formal para o uso da ferramenta, e 60% temem que a ausência de regras possa corroer a credibilidade dos diplomas. A pesquisa sugere que o caminho seguro exige alfabetização digital para docentes, políticas claras de uso e a criação de espaços de colaboração humana potencializada pela máquina – não substituída por ela. O desafio, portanto, não é tecnológico, mas essencialmente pedagógico e ético.
Referências
COURSERA. AI in Higher Education: Insights on Attitudes, Adoption, and Risks from over 4,200 Students and Educators. [S.l.], out. 2025. 35 p.
*A imagem é da Internet
** Os gráficos são do relatório
