segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Dia Internacional do Ensino: ponto sem volta no ensino superior brasileiro?

 


    Neste 24 de janeiro, data instituída pela ONU para celebrar o papel da educação como direito humano e bem público, o cenário global do ensino superior revela uma transformação irreversível, impulsionada a força pela pandemia e consolidada por demandas por maior acessibilidade e relevância.

    Dados da UNESCO, que lidera as celebrações deste ano sob o tema "aprendizagem para a paz", indicam que a crise sanitária acelerou em anos a adoção de tecnologias educacionais. Se, por um lado, a transição emergencial para o Ensino Remoto e o Ensino Remoto Emergencial expôs gritantes desigualdades digitais, por outro, catalisou uma reavaliação profunda dos modelos pedagógicos. O estudo "Ensino Remoto e Híbrido na Educação Superior", citado em análise, já apontava a percepção discente de que metodologias ativas e recursos audiovisuais eram subutilizados no presencial. A pandemia forçou a curva de aprendizado.

    No Brasil, a resposta governamental à aceleração digital materializou-se em ações como o programa "Conecta IF", do MEC, que investiu na infraestrutura de internet de institutos federais, e a disponibilização de recursos via CAPES para formação de professores em práticas pedagógicas digitais. A expansão de programas de assistência estudantil, como o Auxílio Permanência, buscou mitigar a evasão, enquanto editais específicos fomentaram pesquisa em tecnologias educacionais. No entanto, especialistas apontam que a efetivação de uma política de Estado robusta para a educação híbrida, com investimento contínuo e regulamentação clara, ainda é um desafio a ser superado.

    A hibridização tornou-se palavra de ordem. Instituições ao redor do mundo, do MIT a universidades públicas brasileiras, agora operam com modelos flexíveis que combinam sincronia e assincronia, presencialidade e virtualidade. Este não é mais um plano de contingência, mas um novo paradigma. A internet deixou de ser um canal alternativo para se firmar como infraestrutura central, expandindo o acesso a públicos geograficamente distantes ou com limitações de tempo, como profissionais em busca de especialização.

    Contudo, o Dia Internacional da Educação também serve de alerta. O mesmo relatório que destaca vantagens da flexibilidade e da personalização do aprendizado online adverte: a sensação de "solidão" do aluno e a "sobrecarga" do docente são desafios críticos. A educação de alto nível no século XXI, portanto, não se debate mais sobre a superioridade de um modelo sobre o outro, mas sobre como integrá-los de forma ética, inclusiva e eficaz. O futuro, como afirmam especialistas, é "híbrido e humano", exigindo investimentos massivos em formação docente e infraestrutura digital para que a promessa de uma educação verdadeiramente global e de qualidade seja, de fato, para todos. A pandemia passou, mas a revolução que ela iniciou no ensino superior apenas começo.

 

Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues 

Liderança em Educação Superior / Estratégia Acadêmica, Inovação Curricular e Gestão Universitária / Graduação, Mestrado e Doutorado pela Universidade de São Paulo