As Instituições de Ensino Superior (IES), de forma geral, possuem uma governança voltada para o desenvolvimento humano. Essas organizações estruturam seus organogramas considerando hierarquias e as atribuições de cada equipe. Trata-se de um arcabouço estrutural que, aparentemente, busca demonstrar maturidade em suas práticas de gestão. Mas, afinal, o que podemos entender por maturidade nesse contexto?
No ambiente acadêmico, a maturidade da gestão se consolida na interseção entre o autoconhecimento institucional, o domínio das regulações educacionais e a compreensão das diretrizes governamentais que regem os cursos. O ciclo de maturidade atinge sua plenitude quando as tomadas de decisão são pautadas por uma profunda responsabilidade.
Para quem vivencia o outro lado do processo — alunos, professores e colaboradores —, essa maturidade é percebida quando a comunicação é assertiva e vai ao encontro dos anseios da comunidade escolar de forma respeitosa e compreensiva. Na prática, uma gestão empática consegue demonstrar que suas diretrizes possuem um propósito coletivo. Mesmo diante da necessidade de um choque de gestão e de inevitáveis embates, são essas práticas pautadas pelo diálogo que promovem a verdadeira transformação comportamental e cultural.
É fundamental reconhecer que as pessoas carregam expectativas, sonhos e projetos dentro do ambiente de trabalho de uma IES. Uma Gestão Educacional madura deve estar atenta a essas expectativas, avaliando criteriosamente o impacto das decisões tomadas pela Reitoria e Diretoria, e traçando estratégias para mitigar eventuais desgastes.
Existem diversas formas de governar — sejam elas baseadas em modelos participativos, liberais e autônomos. Independentemente do estilo adotado, todos os gestores inevitavelmente enfrentarão a necessidade de tolerar a ambiguidade, sustentar uma visão de longo prazo e demonstrar adaptabilidade. Cada modelo de liderança reagirá a esses três pilares de maneira distinta, mas não poderá ignorá-los.
Nesse cenário, é preciso considerar que as IES são historicamente divididas pelo seu porte: pequeno, médio e grande. O tamanho da instituição exerce um papel determinante na complexidade e na maturidade da tomada de decisão:
• As IES de pequeno porte são frequentemente formadas por núcleos próximos, como amigos, fundadores e familiares. Essa intimidade, se não for bem administrada, pode comprometer a imparcialidade e a maturidade das decisões estratégicas;
• As IES de médio porte costumam viver um dilema: almejam o crescimento, mas sua equipe gestora pode ainda estar atrelada a vínculos de parentesco ou a práticas engessadas, ignorando a própria evolução da instituição e replicando metodologias de anos atrás. Para romper essa barreira e expandir, é imperativo profissionalizar a gestão, formando líderes visionários e conscientes das exigências contemporâneas da educação;
• As IES de grande porte, por sua vez, concentram profissionais de mercado, estruturas robustas e hierarquias escalonadas. Nesse grupo, a maturidade exige extremo cuidado e diálogo constante, pois o impacto de uma decisão desalinhada, sem a visão do todo, pode gerar prejuízos em proporções sistêmicas.
Em suma, a formação de líderes conscientes, dominadores das regulações e responsáveis torna a IES um verdadeiro farol na sociedade. Ao promover o desenvolvimento, aperfeiçoar tecnologias e transformar vidas, uma gestão madura garante que a instituição impacte sua comunidade de forma direta, sustentável e positiva.
Renato Camargo de Mendonça
Professor, Controle Interno, Contabilidade, Consultor, Palestrante e Gestor Financeiro.