Quando uma Instituição de Ensino Superior (IES) entra no vermelho, a reação imediata é: “Precisamos de mais alunos e mais receita!” Mas será que essa é a pergunta certa? Antes de buscar o faturamento, deveríamos questionar: A nossa estrutura decisória atual sustenta um crescimento com responsabilidade? Em processos de reorganização institucional, observo três padrões que se repetem:
Decisões tomadas sem fluxo de caixa projetado;
Crescimento autorizado sem análise de risco;
Cultura organizacional avessa a indicadores.
O grande desafio aqui é cultural, não apenas financeiro. Coordenadores,
diretores e gestores administrativos são peças centrais, mas quando
estão habituados a uma gestão pouco estruturada, a reorganização
encontra barreiras invisíveis. O que é gestão vira "controle excessivo". A disciplina orçamentária é lida como "engessamento". E o improviso vira a regra. Resultado não é o mesmo que previsibilidade. Mesmo IES com balanço contábil positivo podem quebrar por falta de liquidez. A sustentabilidade real exige:
Diagnóstico técnico e análise de cenários.
Alinhamento entre governança e capacidade financeira.
Implantação de indicadores e método.
Lideranças conscientes e envolvidas.
Reduzir custos sem mudar a cultura é apenas um paliativo. Sem maturidade
de gestão, o risco sempre retorna. A sustentabilidade institucional não
é sorte; é maturidade organizacional. Sua instituição enfrenta hoje um desafio financeiro ou um problema estrutural? Reflita sobre isso.
Renato Camargo de Mendonça
Especialista em reorganização financeira e governança educacional
