quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Dias difíceis no ensino superior em 2025 e horizonte complicado para 2026

 


    O cenário do ensino superior brasileiro em 2025 foi marcado por profundas adversidades, e as perspectivas para 2026 permanecem sombrias. A tríade formada pelos cortes orçamentários nas federais — como a redução de quase R$ 400 milhões aprovada para 2026 —, pela flexibilização desregulada do ensino à distância e pela oferta caótica de vagas em medicina configura um ataque multifacetado à qualidade e à soberania do sistema nacional de educação. 

    A manutenção da excelência no setor público torna-se insustentável diante do estrangulamento financeiro crônico. O comprometimento da infraestrutura, da pesquisa de ponta e dos programas vitais de assistência estudantil não apenas inviabiliza o funcionamento básico, mas também ameaça a democratização efetiva do acesso e a permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

    No âmbito privado, instituições fora dos grandes conglomerados enfrentam uma crise existencial, pois convivem com a inadimplência crescente, uma  concorrência predatória e o dilema financeiro  — que prioriza o lucro sobre a qualidade pedagógica — muitas faculdades comunitárias e de menor porte passam por dificuldades.

    A análise conclusiva revela uma crise sistêmica e comum a ambos os subsetores: a erosão da educação como direito e bem público. Sem uma reversão política que restaure o financiamento público robusto, imponha regulação rigorosa e reafirme o valor social das universidades, o Brasil arrisca consolidar um sistema dual e perverso, aprofundando o atraso científico e as desigualdades sociais. 

 Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues