terça-feira, 18 de novembro de 2025

O Labirinto da Evasão no Ensino Superior: Entre Dados Alarmantes e Soluções Inadiáveis

 


    Os dados do 15º Mapa do Ensino Superior no Brasil escancaram uma crise crônica: a evasão. Entre 2019 e 2023, 61,3% dos ingressantes na rede privada abandonaram seus cursos, índice que salta para 64,1% na modalidade EAD. Na rede pública, a taxa é menor (35,1%), mas ainda assim preocupante. Esses números não são meras estatísticas; representam um colossal desperdício de potencial humano e investimento, minando a competitividade nacional.

                                                          Foto da Revista do Ensino Superior
 

    As causas são multifacetadas. A instabilidade econômica recente, agravada pela pandemia, certamente exacerbou o problema. Contudo, a raiz é estrutural: a combinação perversa de um sistema de financiamento estudantil (FIES/Prouni) defasado, mensalidades elevadas e uma alta taxa de inadimplência gera uma barreira financeira intransponível para muitos. Paralelamente, persiste um grave descompasso entre a formação oferecida e as demandas do mercado de trabalho, como evidenciado pela taxa de desistência de 65,2% em Engenharia, área estratégica com déficit elevado de profissionais.

 

Fonte: Mapa do Ensino Superior do Brasil 2025 

    A comparação internacional ilustra a magnitude do nosso atraso. Enquanto no Brasil a taxa de evasão no primeiro ano pode superar 30%, países membros da OCDE mantêm médias entre 20% e 25%. Nações como o Reino Unido e a Austrália, que enfrentaram problemas similares, implementaram com sucesso sistemas robustos de apoio psicopedagógico, tutoria e orientação profissional desde o ingresso do aluno. O foco é na retenção, e não apenas no acesso.

 

                                                    Fonte: Canal Feminismo em Movimento

    A solução exige uma reengenharia das políticas públicas. É imperativo modernizar os programas de financiamento, tornando-os mais acessíveis e sustentáveis. As IES, por sua vez, devem adotar urgentemente metodologias ativas e currículos mais flexíveis e alinhados às competências do século XXI, para além da mera transmissão de conteúdo. A criação de sistemas de alerta precoce, capazes de identificar estudantes em risco baseando-se em dados de desempenho e frequência, permitiria intervenções tutoriais proativas. O combate à evasão não é apenas um imperativo social; é a base para a construção de uma economia do conhecimento robusta e inclusiva. O futuro do país depende dessa virada de chave.

 

                                                                   Fonte: Intituto Millenium

    Portanto, a superação do crônico quadro de evasão demanda uma transição paradigmática: da lógica expansionista do acesso para uma cultura institucional de corresponsabilidade pela trajetória discente. Isso implica a adoção obrigatória de sistemas preditivos de alerta precoce, a integração curricular com o mundo do trabalho e a consolidação de redes de apoio psicopedagógico permanentes. A experiência internacional demonstra que a contenção da evasão não é um custo, mas o mais estratégico dos investimentos no capital humano nacional. O desafio exige, enfim, que a permanência com qualidade seja elevada à condição de política de Estado, como alicerce incontornável para um projeto soberano de desenvolvimento. 

Por Angelo Antonio Davis de Oliveira Nunes e Rodrigues